24/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (23/09), estendendo os ganhos da sessão anterior, sustentados pelas preocupações com atrasos na moagem de cana-de-açúcar no Brasil e pelo forte avanço do petróleo. O contrato março/27, referência atual e de maior liquidez, subiu 24 pontos, ou 1,29%, e fechou a 18,80 centavos de dólar por libra-peso. No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 3,42%, com alta de US$ 3,39, para US$ 99,25 por barril. A valorização elevou a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e aumentou o incentivo para o direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol. No mercado internacional, a West India Sugar Mills Association (WISMA) projeta queda de 20% na produção de açúcar do estado de Maharashtra, na Índia, para 8 milhões de toneladas, em decorrência da seca associada à monção. As autoridades locais avaliam a possibilidade de decretar situação de emergência em razão da estiagem.
A combinação entre a alta do petróleo nos mercados internacionais, as chuvas intensas no Centro-Sul do Brasil, as revisões baixistas para a produção na Ásia e na Europa e os alertas de déficit global para o ciclo 2026/27 ampliou o movimento de compra nos contratos futuros. No mercado brasileiro, o excesso de umidade em setembro, com acumulados elevados no estado de São Paulo, tem provocado paralisações no ritmo de colheita e moagem. Análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Pecege Consultoria indicam que as adversidades climáticas podem prolongar as atividades das usinas e resultar em até 14 milhões de toneladas de cana bisada para a safra 2027/28. O cenário também é refletido nos dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que apontam queda de 10,7% na produção acumulada de açúcar até agosto, para 23,95 milhões de toneladas. Na Europa, a Comissão Europeia estima produção de 14,1 milhões de toneladas, recuo de 2,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2025/26. Na Tailândia, a projeção indica redução de 12,5%, para 10,5 milhões de toneladas, enquanto a Indonésia registra perdas de 25%.
As perspectivas de menor oferta são acompanhadas por estimativas de déficit global de diferentes instituições. O Rabobank projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, o Itaú BBA estima 2,1 milhões de toneladas, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) calcula 200 mil toneladas e a Czarnikow aponta déficit de 2,8 milhões de toneladas para 2027/28. A valorização do açúcar foi limitada pelo fortalecimento do dólar e pelas preocupações com a demanda física. No mercado físico internacional, relatórios da Barchart mantêm no radar sinais de enfraquecimento da demanda após a entrega física atípica e expressiva de 499,35 mil toneladas para a liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres na semana anterior. No mercado financeiro, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou saldo líquido comprado elevado dos fundos especulativos na ICE, de 161.342 contratos na semana encerrada em 15 de setembro, deixando as cotações mais expostas a movimentos de realização de lucros.