24/Sep/2026
Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta nesta quarta-feira (23/09), interrompendo uma sequência de cinco sessões de baixa, diante da ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã e da possibilidade de restrição às exportações norte-americanas de diesel por 90 dias. O petróleo Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), subiu 2,84%, ou US$ 2,71, para US$ 98,12 por barril. O WTI para novembro, negociado na Nymex, avançou 1,81%, ou US$ 1,64, para US$ 92,16 por barril. Estados Unidos e Irã confirmaram que não houve progresso na última rodada de negociações, reduzindo as perspectivas de uma solução de curto prazo para o conflito no Oriente Médio. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, manteve a possibilidade de utilização de alternativas militares contra o Irã.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, alertou autoridades europeias para consequências de longo prazo caso apoiem as ações dos Estados Unidos e de Israel em Gaza e no Irã. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também condicionou a retomada da navegação livre no Estreito de Ormuz à suspensão das sanções. A possibilidade de restrição das exportações norte-americanas de diesel também contribuiu para a alta das cotações. Informações indicaram que o governo dos Estados Unidos avalia um plano para interromper as exportações do derivado por 90 dias. O presidente norte-americano, Donald Trump, defendeu a possibilidade de suspender as exportações para conter a alta dos preços no mercado doméstico. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, alertou que uma eventual proibição das exportações de diesel poderia gerar efeitos não intencionais sobre o mercado de combustíveis, com potencial de restringir a oferta tanto de diesel quanto de gasolina e, consequentemente, pressionar os preços.
A medida, portanto, envolve não apenas os fluxos internacionais do derivado, mas também o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado norte-americano. O Bank of America (BofA) elevou de US$ 83,00 para US$ 95,00 por barril sua projeção para o preço do Brent no segundo semestre do ano, citando a forte interrupção no abastecimento de petróleo bruto e produtos refinados. O banco considera a continuidade dos confrontos até o fim do ano como cenário central, embora rotas alternativas e transportes escoltados pelo Estreito de Ormuz tenham reduzido parte dos efeitos da restrição sobre a oferta. Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia informou aumento de 2,969 milhões de barris nos estoques de petróleo na semana, contrariando a expectativa dos analistas de queda de 500 mil barris. O crescimento dos estoques representa um fator de pressão sobre os preços, mas foi compensado no pregão pelos riscos geopolíticos no Oriente Médio e pelas incertezas envolvendo os fluxos de derivados no mercado internacional.