23/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta terça-feira (22/09) na Bolsa de Nova York, interrompendo a sequência recente de perdas e registrando recuperação técnica diante das preocupações com os atrasos na moagem da cana-de-açúcar no Brasil e com a redução da oferta global. O vencimento março/27, referência atual e o mais líquido do mercado, avançou 17 pontos, ou 0,92%, e fechou a 18,56 centavos de dólar por libra-peso. As chuvas frequentes no Centro-Sul do Brasil, que provocam paralisações no ritmo de moagem, a revisão para baixo da produção asiática e os sucessivos alertas de déficit mundial para o ciclo 2026/27 estimularam a cobertura de posições vendidas nos contratos futuros.
No Brasil, análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e da Pecege Consultoria indicam que as precipitações registradas em setembro estão provocando paralisações operacionais no Centro-Sul, com possibilidade de prolongamento da moagem e de transferência de até 14 milhões de toneladas de cana bisada para o ciclo 2027/28. Os dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reforçam o cenário de menor oferta brasileira. A produção acumulada de açúcar até agosto somou 23,95 milhões de toneladas, queda de 10,7% em relação ao mesmo período anterior. A redução da fabricação ocorre em um ambiente de menor disponibilidade de matéria-prima e de interrupções no processamento provocadas pelas condições climáticas no Centro-Sul.
No mercado internacional, a oferta também apresenta sinais de retração. A West India Sugar Mills Association (WISMA) projeta queda de 20% na produção de açúcar do Estado de Maharashtra, na Índia, para 8 milhões de toneladas, em consequência das chuvas insuficientes durante a monção. Na Europa, dados da Comissão Europeia indicam produção de 14,1 milhões de toneladas, redução de 2,5 milhões de toneladas em relação ao ciclo 2025/26. Na Indonésia, a seca severa reduz a produção local em aproximadamente 25%, enquanto estimativas para a Tailândia apontam retração de 12,5%, para 10,5 milhões de toneladas. A combinação de cortes de produção em diferentes regiões produtoras sustenta as projeções de déficit global para os próximos ciclos.
Entre as estimativas disponíveis, o Rabobank projeta déficit mundial de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto o Itaú BBA calcula déficit de 2,1 milhões de toneladas. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas, e a Czarnikow projeta déficit de 2,8 milhões de toneladas para 2027/28. As diferenças entre as estimativas refletem as incertezas sobre produção, consumo, estoques e condições climáticas nos principais países produtores. A recuperação dos preços em Nova York, contudo, foi limitada por sinais de enfraquecimento da demanda física, pela leve queda do petróleo e pela valorização do dólar.
Relatórios da Barchart mantêm no radar as preocupações com a demanda disponível após a entrega física de 499,35 mil toneladas para a liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres na semana anterior. No mercado de energia, o petróleo recuava, reduzindo marginalmente a paridade teórica do biocombustível e limitando o suporte aos preços do açúcar. No mercado financeiro, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que os fundos especulativos mantêm saldo comprado elevado na ICE. Na semana encerrada em 15 de setembro, a posição líquida comprada alcançava 161.342 contratos, nível que mantém o mercado mais exposto a movimentos de realização de lucros caso surjam sinais de melhora da oferta ou deterioração da demanda.