ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

22/Sep/2026

Açúcar: preços avançam em ritmo mais moderado

Em São Paulo, as cotações do açúcar cristal continuam subindo, mas em menor intensidade frente ao observado na semana anterior. O aumento segue atrelado à menor disponibilidade de açúcar no spot em São Paulo e em outros estados produtores do Centro-Sul. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de SP) registra média de R$ 119,29 por saca de 50 Kg, leve alta de 0,71% nos últimos sete dias (R$ 118,48 por saca de 50 Kg). Novos dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados no dia 17 de setembro, reforçam o quadro de oferta restrita. Na segunda quinzena de agosto, a produção de açúcar do Centro-Sul somou 3,72 milhões de toneladas, 4,8% abaixo da registrada no mesmo período de 2025, mesmo com a moagem 3,3% maior, em 52 milhões de toneladas. No acumulado da safra até o fim de agosto, a fabricação de açúcar totalizou 23,95 milhões de toneladas, recuo de 10,7%, enquanto a de etanol avançou 13,2%.

Em agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já projetava queda de 2,9% na produção nacional de açúcar em 2026/27, para 42,89 milhões de toneladas. No campo, as chuvas atrasaram a colheita e podem levar parte das usinas a estenderem a moagem até mesmo para fevereiro, embora muitas unidades planejem finalizar antes disso, entre dezembro e janeiro. Segundo a Pecege Consultoria e Projetos, cerca de 14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar devem ficar bisadas, sendo processadas apenas em 2027/28, ante de 4 a 6 milhões de toneladas estimadas pela própria consultoria há um mês. Além disso, decreto publicado no dia 16 de setembro instituiu subvenção de R$ 0,2519 por litro de etanol hidratado, com vigência inicial de 30 dias, o que tende a sustentar a demanda pelo biocombustível e manter o perfil alcooleiro das usinas. Com menos cana-de-açúcar disponível nesta safra e mix ainda favorável ao etanol, a oferta de açúcar deve seguir restrita nos próximos meses, cenário que tende a dar sustentação às cotações no mercado interno.

No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York estão pressionados. A despeito dos fundamentos de médio prazo, que continuam positivos para o açúcar, os sinais de demanda física mais fraca e liquidação de posições especulativas pesam sobre as cotações do demerara, além da apreciação do dólar e do recuo da cotação do barril de petróleo. O contrato Outubro/26 do açúcar bruto está cotado a 17,36 centavos de dólar por libra-peso, forte queda de 4,35% nos últimos sete dias. O contrato Outubro/26 registra média de 17,77 centavos de dólar por libra-peso, retração de 3,13% nos últimos sete dias. Vale lembrar que o risco climático na Índia permanece. A monção foi fraca, e o desenvolvimento do El Niño 2026/27 aumenta a preocupação com disponibilidade hídrica para a cana. Na Tailândia, além das chuvas irregulares e da seca, o custo elevado dos fertilizantes tem sido um desafio a mais para os produtores de cana-de-açúcar. Com isso, muitos agricultores estão migrando para o plantio de outras culturas, como a mandioca.

Na União Europeia, a Comissão Europeia aponta produção ao redor de 14,1 milhões de toneladas de açúcar, aproximadamente 2,5 milhões de toneladas abaixo de 2025/26. O verão europeu, marcado por ondas de calor e seca severas, sobretudo na Europa Ocidental, prejudicou o cultivo da beterraba sacarina. Além disso, a área cultivada com beterraba sacarina na União Europeia deve recuar 5,3% na temporada 2026/27, passando de 1,35 milhão para 1,28 milhão de hectares. A redução está associada principalmente aos menores preços do açúcar, que diminuíram a atratividade da cultura frente a outras opções agrícolas. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,15 por saca de 5 Kg, estável (+0,02%) nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,96 por saca de 1 Kg, também com estabilidade (+0,02%) no mesmo comparativo. Esse cenário indica que o repasse das altas recentes do cristal aos derivados perdeu fôlego. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.