22/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (21/09), interrompendo a trajetória recente de baixa e ensaiando uma recuperação técnica. O vencimento março/27, referência atual e contrato de maior liquidez, avançou 15 pontos, ou 0,82%, e fechou a 18,39 centavos de dólar por libra-peso. O movimento de alta foi sustentado principalmente pela valorização do Real ante o dólar, pela busca por oportunidades de compra após as cotações renovarem as mínimas em três semanas e meia, pela confirmação de retração da produção brasileira e por sucessivos alertas relacionados a perdas na oferta global. No Brasil, o mercado repercutiu dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que apontam queda de 11% na produção acumulada de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27. Na segunda quinzena de agosto, a fabricação recuou 4,8%, para 3,72 milhões de toneladas, em razão do direcionamento mais intenso da cana-de-açúcar para a produção de etanol.
As chuvas registradas em setembro no Centro-Sul também provocam atrasos operacionais na moagem, ampliando a defasagem do ciclo produtivo. No mercado internacional, as projeções de déficit global continuam oferecendo suporte aos preços. O Rabobank estima déficit de 3,2 milhões de toneladas, enquanto o Itaú BBA projeta saldo negativo de 2,1 milhões de toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas na safra 2026/27. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit de 2,8 milhões de toneladas. Na Europa, o Ministério da Agricultura da França projeta a menor produção de beterraba em cinco décadas, em 25,4 milhões de toneladas. Na Ásia, dados oficiais da Tailândia apontam retração de 12,5% a 17% na produção de açúcar, para entre 10 milhões e 10,5 milhões de toneladas. Na Índia, o Departamento de Meteorologia registra acumulado de chuvas de monção 15% abaixo do normal até 21 de setembro e alerta para a possibilidade da pior seca em 17 anos, com perspectivas de redução da produção no estado de Maharashtra.
Os ganhos foram limitados pela forte queda do petróleo, pela valorização do dólar no mercado internacional e por preocupações com a demanda física. No mercado físico internacional, relatórios da Barchart mantêm atenção sobre o desempenho das negociações disponíveis após a entrega física de 499,35 mil toneladas para a liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres na semana anterior. O volume foi 91% superior ao registrado em igual período do ano anterior, sinalizando elevada disponibilidade de produto para entrega e contribuindo para as preocupações com a demanda física. No mercado financeiro, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que os fundos especulativos elevaram ligeiramente a posição líquida comprada em açúcar na ICE para 161.342 contratos na semana encerrada em 15 de setembro. O saldo é o maior em quase três anos e aumenta a exposição do mercado a movimentos de realização de lucros, especialmente diante da queda do petróleo e da valorização do dólar no exterior.