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21/Sep/2026

Açúcar: dólar e petróleo pressionam preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em baixa na sexta-feira (18/09) na Bolsa de Nova York, atingindo a menor cotação de fechamento em três semanas e mantendo a trajetória negativa. O vencimento março/27, referência atual e contrato de maior liquidez, recuou 8 pontos, ou 0,44%, e fechou a 18,24 centavos de dólar por libra-peso. A pressão vendedora foi determinada principalmente pelas preocupações com a demanda física no mercado disponível, pela queda do petróleo no exterior, pelo fortalecimento do dólar e pela liquidação de posições por fundos especulativos. No mercado físico europeu, relatórios da Barchart apontam preocupação com o consumo após a entrega de 499,35 mil toneladas de açúcar para a liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres, que expirou no dia 15 de setembro. O volume foi 91% superior às 260,75 mil toneladas registradas em igual período do ano anterior e está entre as maiores entregas para o mês em toda a série histórica.

No mercado de energia, o petróleo WTI recuava 0,86%, ou US$ 0,90, para US$ 104,82 por barril, reduzindo a paridade do biocombustível no mercado interno e favorecendo uma menor destinação de cana para a produção de etanol. A valorização da moeda norte-americana amplia o incentivo para fixações de vendas de açúcar pela origem em moeda local, contribuindo para a pressão sobre as cotações internacionais. No mercado financeiro, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou que os fundos especulativos mantinham saldo líquido comprado elevado na ICE, de 160.551 lotes na semana encerrada em 8 de setembro. A concentração de posições compradas deixa o mercado mais exposto a movimentos de realização de lucros e intensifica a volatilidade diante de sinais negativos sobre demanda, petróleo e câmbio. No campo, relatórios da World Weather Inc. e dados da Climatempo apontam ocorrência de chuvas frequentes sobre São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

As precipitações provocam paralisações pontuais da moagem, mas, ao mesmo tempo, favorecem o desenvolvimento dos canaviais destinados ao próximo ciclo, limitando os impactos negativos sobre a oferta futura de matéria-prima. A queda das cotações foi parcialmente contida pelos dados de produção no Brasil e pelas projeções de redução da oferta na Europa e na Ásia. Boletim oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indica que a produção de açúcar no Centro-Sul somou 3,72 milhões de toneladas na segunda quinzena de agosto, queda de 4,8% ante igual período do ano anterior, enquanto a moagem de cana-de-açúcar avançou 3,5%, para 52 milhões de toneladas. O resultado reforça o direcionamento de maior parcela da matéria-prima para o etanol, com a produção de açúcar acumulando recuo de 11% no ciclo 2026/27.

Na Europa, dados do Ministério da Agricultura da França apontam que a produção local de beterraba deve recuar 29% ante o ciclo anterior, para 25,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1978, em consequência dos efeitos de calor e seca. Na Ásia, dados do Office of the Cane and Sugar Board da Tailândia indicam retração de 12,5% na produção de açúcar, para 10,5 milhões de toneladas, enquanto a Thai Sugar Millers Corp projeta queda de 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Índia, autoridades do estado de Maharashtra projetam uma revisão negativa para as lavouras em razão dos efeitos da estiagem associada ao período de monções. O acumulado de chuvas está 15% abaixo do normal, segundo o Departamento de Meteorologia da Índia. Paralelamente, usinas indianas solicitam autorização para importar 800 mil toneladas de açúcar sob uma cota isenta de tarifas, em resposta à perspectiva de menor disponibilidade doméstica.

Apesar da pressão financeira sobre as cotações, as perspectivas de déficit mundial continuam oferecendo sustentação ao mercado no médio prazo. O Rabobank e a Green Pool Commodity Specialists estimam déficit de 3,2 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27. O Itaú BBA projeta déficit de 2,1 milhões de toneladas, enquanto a CovrigAnalytics calcula déficit de 300 mil toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima saldo negativo de 200 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,8 milhões de toneladas. O mercado, portanto, combina pressão de curto prazo decorrente da valorização do dólar, da queda do petróleo, da realização de lucros e das preocupações com a demanda física com fundamentos de oferta potencialmente mais restritivos em importantes regiões produtoras. No Brasil, o maior direcionamento de cana para o etanol reduz a produção de açúcar, enquanto as perdas projetadas na Europa e na Ásia mantêm o balanço mundial deficitário. Esse quadro limita o espaço para quedas mais profundas, embora a elevada posição comprada dos fundos mantenha as cotações vulneráveis a novas correções.