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18/Sep/2026

Açúcar: futuros recuam com demanda física fraca

Os futuros de açúcar demerara fecharam em forte queda nesta quinta-feira (17/09) na Bolsa de Nova York, renovando a trajetória negativa e atingindo a menor cotação de fechamento em três semanas. O contrato março/27, referência atual e o mais líquido, recuou 57 pontos, ou 3,02%, e fechou a 18,32 centavos de dólar por libra-peso. A pressão vendedora foi determinada principalmente pelos sinais de enfraquecimento da demanda física no mercado disponível, pela queda do petróleo no exterior, pela liquidação de posições de fundos especulativos e pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil. No mercado físico europeu, aumentaram as preocupações com o consumo após a entrega de 499,35 mil toneladas de açúcar para a liquidação do contrato de outubro na Bolsa de Londres, encerrado na terça-feira (15/09). O volume foi 91% superior às 260,75 mil toneladas entregues em igual período do ano anterior e ficou entre os maiores já registrados para o vencimento de outubro.

No mercado de energia, o petróleo WTI recuava 1,52%, ou US$ 1,61, para US$ 105,83 por barril. A queda reduz a paridade teórica do biocombustível no mercado brasileiro e pode favorecer uma maior destinação de cana-de-açúcar para a produção de açúcar em detrimento do etanol. No mercado financeiro, dados da CFTC mostraram que os fundos especulativos mantinham saldo líquido comprado elevado na ICE, de 160.551 lotes na semana encerrada em 8 de setembro. A concentração de posições compradas aumenta a exposição dos preços a movimentos de realização de lucros em um ambiente de deterioração dos indicadores de demanda física. No campo, relatórios da World Weather Inc. e dados da Climatempo apontam ocorrência frequente de chuvas em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. As precipitações interrompem pontualmente a moagem, mas favorecem o desenvolvimento dos canaviais destinados ao próximo ciclo.

As perdas foram limitadas pelas perspectivas de redução da produção em importantes regiões produtoras da Europa e da Ásia e pela manutenção de um cenário de déficit global. Na Europa, dados oficiais do Ministério da Agricultura da França indicam que a produção francesa de beterraba deve recuar 29% ante o ciclo anterior, para 25,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1978, em consequência de calor e seca. Na Ásia, dados do Office of the Cane and Sugar Board da Tailândia apontam queda de 12,5% na produção de açúcar, para 10,5 milhões de toneladas. A Thai Sugar Millers Corp trabalha com retração ainda maior, de 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Índia, autoridades de Maharashtra projetam revisão negativa das lavouras em razão da irregularidade das chuvas de monção. O acumulado pluviométrico estava 15% abaixo do normal, segundo o Departamento de Meteorologia da Índia, enquanto usinas indianas solicitam autorização para importar 800 mil toneladas de açúcar sob cota isenta de tarifas.

O balanço estrutural continua indicando oferta mundial inferior ao consumo em 2026/27. O Rabobank estima déficit de 3,2 milhões de toneladas, mesma projeção da Green Pool Commodity Specialists. O Itaú BBA calcula déficit de 2,1 milhões de toneladas, enquanto a CovrigAnalytics estima 300 mil toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (ISO), 200 mil toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,8 milhões de toneladas. Assim, o movimento de baixa ocorre apesar de um balanço mundial ainda apertado. No curto prazo, a fraqueza da demanda física, a elevada exposição comprada dos fundos, o recuo do petróleo e as condições climáticas no Centro-Sul brasileiro predominam sobre as preocupações com a oferta. A evolução da moagem brasileira, das safras europeia e asiática e da demanda física será determinante para a formação dos preços nas próximas semanas.