17/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em leve alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (16/09), interrompendo a sequência recente de baixas em movimento de ajuste técnico. O vencimento março/27, atual referência e contrato mais líquido, avançou 2 pontos, ou 0,11%, e fechou a 18,89 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato outubro subiu para 17,97 centavos de dólar por libra-peso. A atração de compradores nos níveis mais baixos de preços, as revisões de perdas de safra na Europa e na Ásia, a queda do dólar no Brasil e a manutenção de um cenário de aperto no balanço global sustentaram as compras no mercado internacional.
Na Europa, dados oficiais divulgados pelo Ministério da Agricultura da França indicam que a produção de beterraba deve recuar 29% ante o ciclo anterior, para 25,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1978, em consequência do calor e da seca. Na Ásia, relatórios do Office of the Cane and Sugar Board da Tailândia apontam retração de 12,5% na produção de açúcar, para 10,5 milhões de toneladas. A Thai Sugar Millers Corp projeta queda de 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Índia, autoridades do Estado de Maharashtra indicam revisão negativa para as lavouras locais em razão da estiagem associada à monção, cujo acumulado ficou 15% abaixo do normal, conforme dados do Departamento de Meteorologia da Índia.
No Brasil, as precipitações sobre São Paulo, Minas Gerais e Paraná provocam atrasos temporários na colheita e reduzem a concentração de ATR. No balanço global, o cenário de escassez é respaldado por estimativas de déficit de 3,2 milhões de toneladas do Rabobank, de 3,2 milhões de toneladas da Green Pool Commodity Specialists, de 2,1 milhões de toneladas do Itaú BBA, de 300 mil toneladas da CovrigAnalytics e de 200 mil toneladas da Organização Internacional do Açúcar (ISO). Os ganhos, contudo, foram limitados pela fraca demanda física, pela queda do petróleo e pela revisão do déficit global pela Czarnikow.
No mercado físico europeu, relatórios apontam sinais de demanda mais fraca após a entrega de 499.350 toneladas de açúcar para liquidação do contrato outubro do açúcar refinado em Londres, vencido na terça-feira. O volume foi 91% superior às 260.750 toneladas entregues no mesmo período do ano anterior e está entre os maiores já registrados para o mês. No campo dos fundamentos, a trading Czarnikow reduziu de 900 mil para 300 mil toneladas sua estimativa de déficit mundial de açúcar no ciclo 2026/27 e elevou a projeção de produção global para 178,9 milhões de toneladas, em razão da recuperação da produção da Tailândia, estimada em 10,4 milhões de toneladas.
Para 2027/28, porém, a empresa projeta déficit expressivo de 2,8 milhões de toneladas. No setor energético, o petróleo WTI recuou 2,73%, ou US$ 2,97, para US$ 108,75 por barril. A queda reduz a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e aumenta o incentivo para que as usinas direcionem maior parcela da cana para a produção de açúcar. A fatia de açúcar no mix do Centro-Sul é estimada em até 47,7% pela Hedgepoint Global Markets, o que corresponde a uma produção de 39 milhões a 40 milhões de toneladas. No mercado financeiro, o relatório da CFTC mostrou que os fundos especulativos mantêm posição comprada elevada, de 160.551 contratos, deixando o mercado mais sensível a movimentos de liquidação de posições.