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17/Sep/2026

Açúcar: déficit global e clima sustentarão preço em 2027

A média dos preços do açúcar em 2027 tende a superar os níveis registrados em 2026, elevando o custo para a indústria compradora. A perspectiva da StoneX considera a antecipação de um déficit global na safra 2026/27 e os impactos de problemas climáticos sobre a produção na Europa e na Ásia. Na Bolsa de Nova York, o contrato de outubro do açúcar acumulou valorização de aproximadamente 20% desde o início de agosto, em movimento acompanhado pelo mercado de Londres. A alta internacional ocorreu com o retorno dos fundos especulativos ao lado comprador, após 21 meses mantendo posição liquidamente vendida. Dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que a posição dos fundos passou de 92 mil lotes vendidos para cerca de 160 mil lotes comprados nas últimas cinco semanas.

A posição bruta comprada dos especuladores se aproximou das máximas dos últimos 10 anos, enquanto a posição vendida dos agentes comerciais superou o recorde do mesmo período, em movimento associado às fixações realizadas pelas usinas brasileiras. No Centro-Sul do Brasil, a valorização das cotações levou as usinas a dobrarem, em agosto, o volume de açúcar fixado para a safra 2027/28. O movimento indica maior aproveitamento da melhora dos preços para antecipação das fixações da próxima temporada. No mercado doméstico, o indicador do açúcar cristal base Cepea São Paulo acumulou alta de 30% desde o início de agosto, passando de um piso próximo de R$ 90,00 por saca de 50 Kg para testes ao redor de R$ 120,00 por saca de 50 Kg. A pressão vendedora das usinas do Centro-Sul para a próxima safra tende a limitar movimentos de alta mais expressivos no curto prazo, mas a perspectiva para 2027 permanece de mercado sustentado.

No Hemisfério Norte, as perdas associadas ao clima ampliam os riscos sobre a oferta. Na Europa, ondas de calor na França, Alemanha e Reino Unido, combinadas à redução da área plantada, projetam uma queda de 3 milhões de toneladas na produção de açúcar, decorrente principalmente de perdas de produtividade da beterraba. Na Tailândia, as chuvas acumuladas estão quase 20% abaixo da normalidade no agregado do país, enquanto o déficit hídrico supera 30% em regiões do norte e do centro. Na Índia, as precipitações estão mais de 10% abaixo da média e a perspectiva de estoques reduzidos levou o governo a anunciar importações de açúcar pela primeira vez desde 2016. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.