17/Sep/2026
A Petrobras atingiu valor de mercado recorde de R$ 693,14 bilhões no fechamento de 15 de setembro, impulsionada principalmente pela forte valorização do Brent em setembro. Apesar do desempenho das ações, a política de preços da companhia permanece no radar dos investidores, diante do aumento da defasagem dos preços domésticos em relação às referências internacionais. Desde 2 de julho, quando o petróleo atingiu a menor cotação ao longo dos meses de conflitos entre Estados Unidos e Irã, próxima de US$ 70,00 por barril, a commodity acelerou e acumulava alta de 51,9% até o fechamento de 15 de setembro, aproximando-se novamente de US$ 110,00 por barril. No mesmo período, a ação PN da Petrobras acumulava valorização de 36,6%.
O foco se volta para a política de preços e para o programa de subvenção dos combustíveis. O aumento da defasagem em relação à paridade de importação (IPP) mantém a atenção sobre a subvenção adicional ao diesel e sobre as decisões de preços após as eleições. O BTG Pactual estima que a Petrobras poderá capturar parte do incremento de R$ 1,00 por litro previsto na subvenção adicional ao diesel. A companhia já aderiu anteriormente a programas de subvenção e, em junho, implementou ajuste de R$ 1,12 por litro no diesel acompanhado de desconto equivalente, mantendo inalterados os preços de venda às distribuidoras. O Citi também apontou a defasagem em relação à IPP e estimou que a Petrobras poderia ter gerado cerca de US$ 4,2 bilhões adicionais desde o início do conflito no Oriente Médio caso tivesse seguido estritamente a paridade internacional nos combustíveis.
No período os preços praticados pela estatal ficaram, em média, 29% abaixo da IPP na gasolina e 19% abaixo da IPP no diesel. O cenário internacional também permanece pressionado por um aperto global no balanço entre oferta e demanda de diesel, particularmente diante do banimento de exportações pela Rússia. Ao mesmo tempo, o Brasil se aproxima do período de pico dos volumes de importação de diesel. Com a diferença entre os preços domésticos e internacionais, as distribuidoras podem reduzir os volumes importados ou pressionar por aumentos no mercado doméstico, diante da menor atratividade econômica das compras externas. A defasagem também aumenta o risco para o abastecimento doméstico, considerando a necessidade estrutural de importações de diesel pelo Brasil.
Um agravamento do quadro geopolítico pode reduzir ainda mais a disponibilidade do combustível no mercado brasileiro. Dados recentes apontam que a diferença entre os preços domésticos e os custos internacionais já alcançou níveis elevados, enquanto importadores independentes enfrentam menor atratividade econômica para realizar compras externas. A extensão dos subsídios e das isenções tributárias sobre combustíveis também pode ser acompanhada por aumento ou extensão do imposto de exportação de petróleo como mecanismo de financiamento dessas medidas. A Petrobras, por sua vez, mantém estratégia comercial que considera sua participação de mercado, a otimização dos ativos de refino e a rentabilidade, sem repassar automaticamente a volatilidade internacional aos preços internos.
Na semana passada, a Petrobras inicialmente informou um reajuste que levaria o preço médio da gasolina em suas vendas para R$ 3,24 por litro, mas posteriormente corrigiu a informação e esclareceu que a mudança corresponderia à redução de R$ 0,19 por litro no preço percebido com tributos, levando o valor final a R$ 3,05 por litro. A própria Petrobras confirmou que, com o fim da subvenção anterior e a redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins, o preço médio de venda da gasolina A para as distribuidoras passou a R$ 3,05 por litro. O episódio ampliou as preocupações do mercado sobre a independência do processo de decisão da companhia em relação à formação de preços.
O Itaú BBA também observou que a valorização das ações foi sustentada pela alta do petróleo para US$ 108,00 por barril e pela expectativa de captura, pela Petrobras, de parte do subsídio adicional ao diesel, embora a ação tenha ficado atrás de outras produtoras em meio às preocupações relacionadas à governança. Com base nesse cenário, o Itaú BBA estima que os preços do diesel da Petrobras estejam 34% abaixo da paridade da IPP, enquanto os preços da gasolina estão 14% abaixo da paridade de exportação (EPP). A combinação entre petróleo elevado, restrições no mercado internacional de diesel, necessidade brasileira de importações e defasagem dos preços domésticos mantém a política de preços como variável relevante para o desempenho da Petrobras e para as condições de abastecimento do mercado brasileiro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.