16/Sep/2026
O Centro-Sul poderá encerrar a safra 2026/27 com aproximadamente 14 milhões de toneladas de cana bisada, segundo estimativa do Radar Compara de setembro, elaborado pela Pecege Consultoria e Projetos. O potencial de moagem é estimado em 654,7 milhões de toneladas, mas, descontando a parcela de cana que deverá permanecer nos canaviais para o ciclo seguinte, a moagem efetivamente realizada na temporada deve alcançar 640,7 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,83% ante as 611,2 milhões de toneladas processadas na safra 2025/26. Até 16 de agosto, o Centro-Sul havia processado 361,6 milhões de toneladas de cana. Para o restante do ciclo, o levantamento estima potencial de moagem de 266,2 milhões de toneladas até dezembro, além de uma moagem média de 12,9 milhões de toneladas entre janeiro e março. A projeção incorpora aumento da produtividade agrícola, redução do ATR médio e alteração do mix industrial em favor do etanol.
A produtividade média dos canaviais é projetada em 79,32 toneladas por hectare, alta de 6,57% em relação às 74,43 toneladas por hectare registradas em 2025/26. A área efetivamente colhida deverá avançar de 8,211 milhões para 8,254 milhões de hectares, crescimento de 0,52%. Na decomposição do Radar Compara, a produtividade parte das 74,43 toneladas por hectare da temporada anterior, com contribuição positiva de 0,51 tonelada por hectare associada à idade dos canaviais e de 4,38 toneladas por hectare decorrente das condições climáticas, resultando na estimativa de 79,32 toneladas por hectare para 2026/27. A área total cultivada com cana-de-açúcar no Centro-Sul é estimada em 9,35 milhões de hectares. Desse total, 8,08 milhões de hectares correspondem à área colhida, 1,10 milhão de hectares à área de plantio e 180 mil hectares à cana bisada.
A taxa de plantio é estimada em 11,74%. A existência de parcela relevante de cana bisada indica que parte do potencial produtivo ficará transferida para a próxima temporada, reduzindo a moagem efetiva em relação ao potencial total disponível no ciclo atual. Apesar do avanço da produtividade agrícola, o ATR médio deverá recuar. O indicador é estimado em 135,46 quilos por tonelada de cana, queda de 1,69% ante os 137,79 kg por tonelada registrados em 2025/26. A redução do ATR limita parcialmente o ganho obtido com a maior produtividade agrícola, embora o ATR total ainda deva crescer 3,06%, de 84,21 milhões para 86,79 milhões de toneladas, em função do maior volume de cana-de-açúcar processada. A principal mudança na produção industrial está no direcionamento da matéria-prima. A participação do açúcar no mix do Centro-Sul deverá cair de 50,38% para 47,01%, redução de 3,37%. Em sentido contrário, a participação do etanol deve avançar de 49,62% para 52,99%.
O deslocamento do mix para o biocombustível reduz a disponibilidade de açúcar e amplia a produção de etanol, refletindo a relação entre os preços relativos dos dois produtos e as decisões industriais das usinas. Com a menor participação do açúcar, a produção da commodity no Centro-Sul é estimada em 38,88 milhões de toneladas, queda de 3,84% ante as 40,43 milhões de toneladas da safra 2025/26. A redução ocorre mesmo com o crescimento da moagem e da produtividade agrícola, devido principalmente à mudança do mix industrial e ao menor ATR médio. A produção de etanol de cana, por outro lado, deverá atingir 27,01 bilhões de litros em 2026/27, avanço de 10,11%. O etanol hidratado responderá por 17 bilhões de litros, alta de 11,71%, enquanto o anidro deverá alcançar 10,01 bilhões de litros, crescimento de 7,50%. O aumento reforça a importância do setor sucroenergético na absorção da cana e amplia a oferta de biocombustíveis no mercado brasileiro.
Considerando também o etanol produzido a partir do milho, cuja produção é estimada em 10,05 bilhões de litros, a oferta total de etanol no Centro-Sul deverá alcançar 37,06 bilhões de litros na safra 2026/27. Desse volume, 22,25 bilhões de litros serão de etanol hidratado e 14,81 bilhões de litros de anidro. A expansão do etanol de milho complementa o crescimento da produção a partir da cana e amplia a capacidade de atendimento da demanda doméstica por biocombustíveis. O balanço projetado para 2026/27 indica, portanto, uma safra de cana-de-açúcar com maior produtividade e maior moagem, mas com menor concentração de açúcar na produção industrial. O aumento de 6,57% da produtividade compensa parcialmente a redução de 1,69% do ATR médio e permite crescimento de 3,06% do ATR total. Ao mesmo tempo, a retenção de aproximadamente 14 milhões de toneladas de cana para o ciclo seguinte limita a moagem efetiva a 640,7 milhões de toneladas, abaixo do potencial de 654,7 milhões.
Para o mercado de açúcar, a combinação entre menor produção no Centro-Sul e maior direcionamento da cana para o etanol reduz a disponibilidade potencial da commodity brasileira. Esse fator ganha relevância em um cenário internacional de maior sensibilidade da oferta às condições climáticas, especialmente diante dos riscos associados ao El Niño. Para o etanol, a alteração do mix e o avanço da produção de milho ampliam a oferta e fortalecem a participação dos biocombustíveis na matriz energética. O cenário para a próxima temporada dependerá, ainda, da capacidade de processamento da cana bisada, das condições climáticas e da relação de preços entre açúcar e etanol. Caso a cana-de-açúcar remanescente seja incorporada à moagem de 2027/28 em condições favoráveis, poderá contribuir para elevar a disponibilidade de matéria-prima no próximo ciclo. No curto prazo, porém, a menor produção de açúcar e o maior volume de etanol caracterizam uma safra mais alcooleira no Centro-Sul. Fonte: RPA News. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.