ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

16/Sep/2026

Açúcar: futuros recuam com liquidação de fundos

Os contratos futuros de açúcar demerara encerraram em queda na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (15/09), ampliando o movimento de realização de lucros e atingindo a menor cotação de fechamento em uma semana e meia. O contrato março/27, referência atual e de maior liquidez, recuou 19 pontos, ou 1,00%, e fechou a 18,87 centavos de dólar por libra-peso. A pressão vendedora foi reforçada pelo fortalecimento do dólar no mercado internacional, pela liquidação de posições de fundos especulativos, pela revisão para baixo do déficit global de açúcar pela Czarnikow e pelas expectativas de uma safra volumosa no Brasil. O índice dólar (DXY) avançou 0,23%, para 99,391 pontos, aumentando a pressão sobre as commodities denominadas em dólar. O movimento também ocorreu após dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostrarem que os fundos ampliaram a posição líquida comprada na ICE para 160.551 lotes na semana encerrada em 8 de setembro, o maior nível em quase três anos.

A Czarnikow reduziu de 900 mil para 300 mil toneladas sua estimativa de déficit global de açúcar para o ciclo 2026/27. A revisão foi acompanhada por aumento da projeção de produção mundial para 178,9 milhões de toneladas, influenciado principalmente pela expectativa de maior oferta da Tailândia. A estimativa para a produção tailandesa foi elevada de 9,8 milhões para 10,4 milhões de toneladas, em razão de chuvas acima do esperado. Projeções da Hedgepoint Global Markets e da Czarnikow indicam que a participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar no Centro-Sul poderá alcançar até 47,7%. Nesse cenário, a produção regional do adoçante poderá ficar entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas. A queda das cotações, contudo, foi limitada pela forte valorização do petróleo, pelas perspectivas de quebra da produção de beterraba na Europa e pelas paralisações da moagem no Brasil. O petróleo WTI avançou 2,91%, equivalente a US$ 3,08, para US$ 105,68 por barril.

A alta melhora a paridade teórica do etanol no mercado interno e reduz o incentivo para que as usinas direcionem parcela excessivamente elevada da cana para o açúcar, especialmente em um cenário de maior rentabilidade relativa do biocombustível. Na Europa, dados oficiais da França indicam que a produção de beterraba deverá recuar 29% em relação ao ciclo anterior, para 25,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1978. A queda está associada às condições de calor e seca registradas durante o ciclo. A menor oferta europeia funciona como fator de sustentação para os preços internacionais, ao reduzir a disponibilidade de açúcar e elevar a dependência do mercado de outras regiões produtoras. No Brasil, as condições climáticas também limitam a evolução da moagem. Relatórios da World Weather Inc. e dados da Climatempo indicam ocorrência de chuvas frequentes em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

A maior frequência das precipitações dificulta os trabalhos de colheita e pode reduzir a concentração de ATR da matéria-prima, afetando o rendimento industrial e a quantidade de açúcar produzida por tonelada de cana-de-açúcar. Na Ásia, as estimativas de produção permanecem divergentes, mas apontam para riscos relevantes de redução da oferta. Dados do Office of the Cane and Sugar Board da Tailândia indicam retração de 12,5% da safra, para 10,5 milhões de toneladas. A Thai Sugar Millers Corp projeta queda mais acentuada, de 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Índia, o Departamento de Meteorologia aponta que as monções acumulam volume 15% abaixo do normal, ampliando as preocupações sobre a produção da segunda maior produtora mundial de açúcar. Apesar da revisão baixista da Czarnikow, as projeções para o balanço global permanecem bastante divergentes e, em parte, apontam para um cenário de déficit mais elevado. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) estima déficit de 200 mil toneladas em 2026/27. O Itaú BBA elevou sua projeção de 1,4 milhão para 2,1 milhões de toneladas, enquanto Rabobank e Green Pool Commodity Specialists trabalham com déficit de 3,2 milhões de toneladas cada.

A CovrigAnalytics estima déficit de 300 mil toneladas. O mercado permanece, portanto, dividido entre fatores baixistas de curto prazo e fundamentos potencialmente altistas para o ciclo global. A liquidação das posições especulativas, o dólar mais forte, a revisão para baixo do déficit pela Czarnikow e a expectativa de maior produção no Brasil pressionam as cotações. Em sentido contrário, o petróleo elevado, os problemas climáticos na Europa e na Ásia, as dificuldades de moagem no Brasil e as estimativas de déficit de importantes instituições limitam o espaço para quedas mais acentuadas. A evolução dos preços nas próximas semanas dependerá principalmente do ritmo da moagem no Centro-Sul, da definição do mix entre açúcar e etanol, da intensidade das chuvas sobre os canaviais brasileiros e da confirmação das perdas de produção na Europa e na Ásia. A combinação entre maior disponibilidade brasileira e eventual redução da oferta em outras regiões continuará sendo determinante para o balanço global de açúcar e para a direção das cotações internacionais.