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16/Sep/2026

Açúcar: revisada projeção do déficit global 2026/27

O Itaú BBA elevou de 1,4 milhão para 2,1 milhões de toneladas a estimativa de déficit do mercado global de açúcar na safra 2026/27, após reduzir a projeção de produção no Centro-Sul do Brasil e incorporar cortes de oferta em outras origens. Para o Centro-Sul, a estimativa de produção de açúcar foi reduzida de 39,3 milhões para 38,9 milhões de toneladas, em razão da menor moagem e da piora da qualidade da cana-de-açúcar. A projeção de moagem do Centro-Sul foi revisada de 644,8 milhões para 639,7 milhões de toneladas. A redução considera o excesso de chuvas registrado em junho e setembro e a expectativa de continuidade de condições úmidas em outubro. O teor de açúcares totais recuperáveis (ATR) foi reduzido de 138,3 para 136,4 quilos por tonelada de cana-de-açúcar, refletindo o clima chuvoso e o elevado nível de impurezas na matéria-prima. A deterioração da qualidade da cana mais do que compensou a elevação prevista do mix destinado à produção de açúcar, de 46,2% para 46,8%, tornando-se o principal fator de limitação para a produção do adoçante no ciclo 2026/27.

A revisão para o Centro-Sul, somada às reduções estimadas para a produção na América Central, nos Estados Unidos e na Austrália, ampliou a projeção de déficit mundial. O menor balanço de oferta, contudo, não representa garantia de novas altas das cotações. A sustentação de preços acima dos níveis correntes dependerá da recuperação da demanda física, especialmente em um ambiente no qual a disponibilidade global permanece condicionada à evolução das safras e ao comportamento dos consumidores. O mercado de açúcar também recebeu suporte de fatores externos. O petróleo Brent superou US$ 100,00 por barril em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, elevando a atratividade relativa do etanol e reforçando as expectativas para o mercado de biocombustíveis. Na Índia, medidas governamentais foram adotadas para ampliar a disponibilidade doméstica de açúcar. O governo autorizou a importação, sem tarifa, de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto até 31 de outubro de 2026, com possibilidade de extensão do prazo por até dois meses após o registro da importação.

Também foi autorizada a redestinação ao mercado interno de cerca de 250 mil toneladas que inicialmente seriam destinadas à exportação. As tradings estimam, entretanto, que entre 300 mil e 600 mil toneladas sejam efetivamente exportadas para a Índia, abaixo do volume autorizado. Nesse ambiente, os fundos alteraram de forma significativa sua exposição no mercado futuro, passando de uma posição vendida para uma posição comprada de 238.684 contratos em 1º de setembro, maior volume desde janeiro de 2023. A menor disponibilidade de matéria-prima também reduziu as perspectivas para a produção de etanol. A estimativa para a produção total do biocombustível no Centro-Sul foi revisada para 37,7 bilhões de litros, queda de 2,1% ante a projeção anterior. Para o etanol de cana-de-açúcar, a estimativa recuou 3,2%, para 27,3 bilhões de litros. Em São Paulo, o preço do etanol hidratado nas usinas avançou de R$ 2,05 por litro no início de agosto para R$ 2,46 por litro na semana encerrada em 11 de setembro.

A valorização refletiu a alta do açúcar, a melhora do consumo doméstico e as interrupções da moagem provocadas pelas chuvas. A demanda doméstica por etanol apresentou desempenho acima do esperado. As distribuidoras comercializaram 1,92 bilhão de litros de etanol hidratado em julho, recorde para o mês. A expectativa é de continuidade do crescimento do consumo, favorecendo a consolidação de preços mais remuneradores aos produtores. Mesmo após a valorização recente, a paridade do etanol hidratado em relação à gasolina permaneceu abaixo de 60% em São Paulo, mantendo vantagem competitiva do biocombustível no mercado de combustíveis. A regulamentação também poderá ampliar a demanda. O Ministério de Minas e Energia (MME) deve autorizar testes para avaliar a viabilidade técnica da mistura de 35% de etanol na gasolina. Caso implementada, a medida poderá acrescentar entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de litros à demanda anual por etanol anidro.

As recentes alterações tributárias podem ampliar a paridade potencial do etanol hidratado em até 2% ou elevar em 5% o preço potencial ao produtor, considerando margens constantes. As novas alíquotas de PIS/Cofins, contudo, têm validade restrita ao período de 10 de setembro a 9 de outubro, mantendo a política tributária dos combustíveis como uma variável relevante no curto prazo. O cenário para açúcar e etanol combina menor oferta de matéria-prima, déficit global mais elevado e demanda doméstica de etanol em recuperação. Para o açúcar, a restrição da oferta tende a oferecer suporte às cotações, mas a capacidade de sustentação de preços em níveis mais elevados continuará condicionada à retomada da demanda física. No etanol, a combinação entre menor produção, maior consumo e possíveis mudanças regulatórias amplia o potencial de valorização e melhora a perspectiva de remuneração ao produtor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.