16/Sep/2026
Um ano após a crise do metanol que atingiu o mercado de bebidas em São Paulo e deixou um rastro de mortes, a indústria de destilados passou a adotar uma tecnologia de autenticação digital para permitir que o consumidor verifique pelo celular a procedência de garrafas de uísque, gin e vodca. A iniciativa busca criar uma barreira adicional contra a falsificação de produtos e embalagens, em um mercado no qual uma garrafa aparentemente original pode conter bebida adulterada. O sistema utiliza o Selo Drink Seguro Diageo, aplicado próximo à tampa da garrafa. Para realizar a verificação, o consumidor precisa apenas apontar a câmera do celular para o selo, sem necessidade de instalar aplicativo.
O aparelho direciona para uma plataforma na qual uma inteligência artificial analisa a impressão digital do selo. Cada unidade possui uma identificação própria, com mais de 27 trilhões de combinações possíveis, ampliando a dificuldade de reprodução por falsificadores. Quando a identificação é validada, a plataforma apresenta a mensagem de selo validado com sucesso. Caso o código não seja reconhecido após uma nova tentativa, a orientação é não consumir a bebida. O consumidor também pode informar à companhia os dados da garrafa não validada, permitindo eventual encaminhamento das informações às autoridades responsáveis pela fiscalização.
A tecnologia começou a ser incorporada ao mercado em fevereiro de 2026 e, inicialmente, passou a ser aplicada às garrafas de uísque, gin e vodca. Como ainda há estoques fabricados antes da adoção do sistema, o mercado atravessa um período de transição, com a presença simultânea de garrafas com e sem o selo nas prateleiras. A expectativa da companhia é que, até o fim de 2026, todas as garrafas dessas categorias estejam identificadas com a tecnologia. O mecanismo não substitui os controles internos de qualidade, mas acrescenta uma camada de proteção voltada especificamente à falsificação da embalagem, considerada uma das modalidades mais difíceis de combater.
Nesse tipo de fraude, o produto pode apresentar aparência externa semelhante à original, dificultando a identificação do problema pelo consumidor antes do consumo. Os destilados são particularmente atrativos para falsificadores por combinarem elevado valor agregado e pequeno volume físico. Garrafas de uísque de marcas conhecidas podem ser revendidas no mercado clandestino por cerca de metade do preço do produto original, ainda proporcionando margem para a atividade ilegal. Para reproduzir a apresentação dos produtos, garrafas vazias são recolhidas em bares e até em lixo descartado, sendo posteriormente utilizadas em esquemas de adulteração e falsificação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.