15/Sep/2026
Em São Paulo, as cotações do açúcar se mantêm em elevação, mas em ritmo mais moderado que na semana anterior. Os fundamentos para a alta continuam relacionados à oferta limitada; agentes relatam menor disponibilidade de açúcar para negociação no mercado spot. Esse quadro se soma ao perfil alcooleiro desta safra, com usinas destinando uma parcela maior da cana-de-açúcar à produção do etanol. Assim, mesmo com moagem superior à do ano passado, a fabricação de açúcar acumulava queda de 11,7% no acumulado da safra (até 15 de agosto), segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Análise divulgada pelo Rabobank na semana passada considera "quase certa" a redução da produção de açúcar no Centro-Sul na temporada 2026/27.
Estimativas apresentadas pelo banco sugerem que, para igualar as 40,4 milhões de toneladas produzidas no ciclo anterior, as usinas precisariam destinar 53% da cana ao açúcar entre agosto e o fim da safra, volume bem acima dos cerca de 44% observados até julho. O Rabobank também alerta que chuvas acima do normal nos próximos meses podem resultar em contingente considerável de cana-de-açúcar bisada para a próxima safra, reforçando a restrição de oferta. O Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180, estado de SP) registra média de R$ 118,48 por saca de 50 Kg, avanço de 2,74% nos últimos sete dias (R$ 115,31 por saca de 50 Kg). Nesta temporada, até o momento, o Indicador foi o mais baixo no dia 17 de junho, quando teve média de R$ 90,72 por saca 50 Kg.
Esse patamar continuou sendo verificado até o início de agosto, quando passou a apresentar recuperação, sustentada por fundamentos registrados tanto no mercado externo como no interno. No mercado externo, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York também estão em alta, sustentados pelas perspectivas de redução da oferta mundial na safra 2026/27, além de nova valorização do petróleo, com os bombardeios norte-americanos no Irã. O cenário climático adverso em importantes regiões produtoras da Ásia e no continente europeu também reforça as preocupações com a disponibilidade do adoçante, em um momento em que as estimativas apontam um balanço global mais apertado. Na Tailândia, segundo o Escritório do Conselho da Cana-de-Açúcar e do Açúcar, a produção do açúcar pode recuar 12,5% em 2026/27, para cerca de 10,5 milhões de toneladas, diante dos efeitos da seca.
Além disso, segundo a Federação Tailandesa de Plantadores de Cana-de-Açúcar, agricultores têm enfrentado custos mais altos com fertilizantes, não cobertos pelos valores alcançados pela cana, levando alguns produtores a migrarem para culturas mais lucrativas, como a mandioca. O contrato Outubro/26 negociado na ICE Futures registra média de 18,35 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,79% nos últimos sete dias. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 14,15 por saca de 5 Kg, elevação de 3,70% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,96 por saca de 1 Kg, alta de 1,01% no mesmo comparativo. O repasse se desacelerou frente à semana anterior, quando as altas haviam superado 7%, mas segue acompanhando a direção do cristal branco. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.