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15/Sep/2026

Açúcar: futuros caem com dólar e realização de lucros

Os futuros de açúcar demerara encerraram a sessão desta segunda-feira (14/09) em queda na Bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos registrados no início dos negócios em movimento de realização de lucros. O vencimento março/2027, referência atual e contrato mais líquido, recuou 7 pontos, ou 0,37%, e fechou a 19,06 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do dólar ante o Real no mercado brasileiro e a liquidação de posições por fundos especulativos foram os principais fatores de pressão sobre as cotações internacionais. Pelo lado da oferta brasileira, Hedgepoint Global Markets e Czarnikow projetam que a participação da cana destinada à produção de açúcar no Centro-Sul poderá alcançar 47,7%, resultando em produção entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas de açúcar na região.

A perspectiva de maior direcionamento da matéria-prima para o açúcar limita o suporte às cotações, diante da possibilidade de maior disponibilidade do produto no mercado internacional. A queda na Bolsa de Nova York, contudo, foi limitada pela forte valorização do petróleo, pelas paralisações da moagem provocadas pelas chuvas no Brasil e pelas indicações de quebra de safra na Ásia. O petróleo em alta eleva a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e reduzindo o incentivo econômico para que as usinas ampliem de forma mais agressiva a parcela de cana destinada à produção de açúcar. No Brasil, relatórios da World Weather Inc. e dados da Climatempo indicam ocorrência frequente de chuvas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

As condições climáticas dificultam o avanço da colheita e podem antecipar o encerramento da moagem da atual safra, restringindo a disponibilidade de matéria-prima para processamento. Na Ásia, os dados oficiais do Office of the Cane and Sugar Board da Tailândia indicam que a safra 2026/27 do país deverá recuar 12,5%, para 10,5 milhões de toneladas. A Thai Sugar Millers Corp projeta queda de até 17%, para 10 milhões de toneladas, em consequência da seca. Na Índia, usinas e refinarias já solicitaram licenças para importar 800 mil toneladas dentro da cota de 1 milhão de toneladas com isenção tarifária. Pesquisas da Bloomberg indicam produção indiana entre 29 milhões e 31 milhões de toneladas. No balanço global de médio prazo, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit mundial de 200 mil toneladas em 2026/27.

Também apontam déficit a CovrigAnalytics, de Claudiu Covrig, com estimativa de 3,2 milhões de toneladas, a Green Pool Commodity Specialists, e o Itaú BBA, que trabalha com déficit de 1,4 milhão de toneladas. Esses fatores contribuem para limitar uma queda mais acentuada dos contratos futuros, apesar da pressão cambial e da realização de lucros. No mercado financeiro, o relatório da CFTC mostrou que os fundos especulativos ampliaram em 3.585 contratos a posição líquida comprada em açúcar na ICE, para 247.051 lotes. A elevada exposição comprada mantém o mercado mais vulnerável a movimentos de liquidação caso os fundamentos de curto prazo se deteriorem, ao mesmo tempo em que o déficit global projetado e as restrições de oferta na Ásia oferecem sustentação às cotações.