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15/Sep/2026

Açúcar: balanço global mais apertado em 2026/27

Segundo o Rabobank, o balanço global de açúcar para 2026/27 ficou mais apertado, com o déficit passando de pouco mais de 1 milhão de toneladas estimado há dois meses, para 3,2 milhões de toneladas. Novas revisões negativas da produção no Brasil ou na Ásia podem reduzir ainda mais a disponibilidade global e reforçar o prêmio de risco incorporado aos preços. Nesse cenário, a manutenção de um prêmio para refletir o risco de oferta é considerada justificável. A perspectiva para os preços permanece condicionada principalmente ao comportamento do clima nas próximas semanas, tanto no Brasil quanto na Ásia, e à reação da demanda às cotações mais elevadas. Ainda há possibilidade de novas revisões negativas nas estimativas de produção, enquanto permanece incerta a estratégia dos compradores. Parte deles pode reduzir o ritmo de aquisição à espera de uma correção dos preços, enquanto outros podem antecipar compras para se proteger de novas altas.

No Centro-Sul do Brasil, alguns fatores de produção já estão definidos ou apresentam pouca possibilidade de reversão ao longo deste ciclo. Até meados de agosto, quase metade da safra projetada havia sido processada, com mix de aproximadamente 45% destinado ao açúcar, percentual mais alcooleiro do que o registrado no mesmo período da temporada anterior. A combinação entre o volume já processado e o mix adotado reduz o espaço para uma mudança significativa na destinação da cana para açúcar no restante da safra. Até meados de agosto, as usinas do Centro-Sul haviam processado cerca de 362 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, ante 354 milhões de toneladas em igual período do ano passado. Apesar do maior volume de matéria-prima processada, a produção de açúcar somava 20,2 milhões de toneladas, abaixo das 22,9 milhões de toneladas registradas um ano antes.

As chuvas de maio e junho favoreceram a produtividade da cana, mas também provocaram interrupções na colheita. Com a necessidade de maximizar a moagem ao longo da temporada, as usinas têm capacidade limitada para elevar simultaneamente a parcela da matéria-prima destinada à produção de açúcar. O risco climático permanece como um dos principais fatores para o balanço brasileiro. Novas chuvas podem interromper novamente a colheita e prejudicar a qualidade da cana ainda no campo, reduzindo o potencial de recuperação da produção no restante do ciclo. A combinação entre um mix mais alcooleiro, a necessidade de acelerar a moagem e a possibilidade de novos impactos climáticos indica que a produção de açúcar do Centro-Sul deve ficar abaixo dos pouco mais de 40 milhões de toneladas registrados na safra anterior.

Na Europa, o Rabobank projeta queda de aproximadamente 19% na produção de beterraba açucareira em relação ao ano passado, refletindo a redução da área plantada e os efeitos de calor e seca. Com o início da colheita previsto para aproximadamente um mês, o período disponível para recuperação do potencial produtivo é limitado, o que amplia a preocupação com a oferta regional. Na Índia, o quadro é diferente. As monções estão 13% abaixo do normal, mas o Rabobank ainda não identifica impacto relevante sobre a próxima safra. O país abriu recentemente uma cota de importação após os preços domésticos subirem quase 40% em poucas semanas, em um período marcado pela entressafra e pelo aumento do consumo associado aos festivais religiosos. A Índia ainda dispõe de capacidade para reduzir a destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol e direcionar maior volume para açúcar, caso seja necessário recompor a oferta no mercado interno.

O posicionamento dos fundos também contribuiu para acelerar a valorização recente. Os especuladores passaram, em poucas semanas, de uma posição líquida vendida relevante para uma posição líquida comprada, acompanhando a deterioração das perspectivas de oferta. Esse reposicionamento financeiro ampliou a pressão compradora sobre os contratos de açúcar e reforçou o movimento de alta. As usinas também aproveitaram o avanço das cotações para ampliar a fixação de preços. Muitas empresas ainda apresentavam volume de açúcar abaixo do habitual com preços fixados para a safra atual e intensificaram as operações de proteção e comercialização também para a safra 2027/28. O movimento reduz parte da exposição das usinas às oscilações futuras, enquanto o mercado permanece condicionado ao balanço global mais apertado e à evolução do clima nas principais regiões produtoras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.