14/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em acentuada queda na sexta-feira (11/09) na Bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos das sessões anteriores em um movimento de correção técnica. O vencimento março/27, referência atual e o mais líquido do mercado, recuou 62 pontos, ou 3,14%, e fechou a 19,13 centavos de dólar por libra-peso. A queda do petróleo no mercado internacional, o avanço de frentes frias com chuvas sobre o Centro-Sul do Brasil, a perspectiva de elevado mix açucareiro nacional e a ligeira alta do dólar direcionaram as vendas nos contratos futuros. No setor de energia, o petróleo WTI recuava 2,49%, ou US$ 2,68, para US$ 107,63 por barril, reduzindo a paridade teórica do biocombustível no mercado interno e favorecendo a destinação de menor parcela da cana-de-açúcar para a produção de etanol e de maior volume para açúcar.
No Brasil, relatórios da World Weather Inc. e dados da Climatempo indicam ocorrência de chuvas frequentes em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, favorecendo o desenvolvimento dos canaviais para a safra seguinte, embora possam antecipar o encerramento das operações de moagem da safra atual. Paralelamente, projeções da Hedgepoint Global Markets e da Czarnikow indicam que a participação da cana destinada à produção de açúcar no Centro-Sul pode atingir 47,7%, com produção estimada entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas na região. Na Índia, usinas e refinarias encaminharam pedidos de compra para cerca de 800 mil toneladas dentro da cota de 1 milhão de toneladas autorizada com isenção, reduzindo os receios de interrupção das importações.
A pressão de baixa foi parcialmente limitada pelas projeções de quebra relevante na produção da Tailândia, pela consolidação de um déficit mundial pela Organização Internacional do Açúcar (ISO) e pelos dados oficiais de retração da oferta brasileira. O Conselho de Cana e Açúcar da Tailândia e a Thai Sugar Millers Corp indicam que a safra 2026/27 do país asiático, segundo maior exportador global, deve recuar entre 12,5% e 17%, para um volume entre 10 milhões e 10,5 milhões de toneladas, em consequência da seca e da migração de produtores para a cultura da mandioca. As estimativas apontam ainda que as cotações em Nova York precisam permanecer entre 21 e 22 centavos de dólar por libra-peso para cobrir os custos operacionais. No balanço global, a ISO confirmou a estimativa de déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27.
Esse cenário se soma às projeções da CovrigAnalytics, de redução de 3 milhões de toneladas na fabricação de açúcar na União Europeia e no Reino Unido, o que exigiria importações de 3,5 milhões de toneladas, além das estimativas de déficit da Green Pool Commodity Specialists, de 3,2 milhões de toneladas, e do Itaú BBA, de 1,4 milhão de toneladas. No Brasil, dados oficiais do Ministério da Agricultura (Mapa) mostram queda de 12,4% na fabricação acumulada de açúcar no Centro-Sul até julho, para 16,92 milhões de toneladas. No mercado financeiro, o relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) apontou posição líquida comprada elevada dos fundos especulativos, de 132.496 contratos, mantendo o mercado atento ao risco de movimentos de liquidação e à continuidade da volatilidade dos contratos futuros.