10/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta quarta-feira (09/09) na Bolsa de Nova York, impulsionados pela forte valorização do petróleo no mercado internacional e por revisões baixistas para a oferta global. O vencimento março/27, referência atual do mercado, avançou 30 pontos, equivalente a 1,57%, e fechou a 19,39 centavos de dólar por libra-peso. A valorização do petróleo, a queda do dólar no mercado internacional, os cortes expressivos nas estimativas de produção da Tailândia e da Europa, as chuvas no Centro-Sul do Brasil e as projeções de déficit global da Organização Internacional do Açúcar (ISO) sustentaram o movimento de compras nos contratos de açúcar na Bolsa de Nova York. No mercado de energia, o petróleo WTI subia 2,70%, ou US$ 2,64, para US$ 97,92 por barril, maior nível em três meses e meio.
A alta reforça a paridade teórica do etanol no mercado interno e tende a estimular as usinas a direcionarem maior parcela da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível. Na oferta global, a Thai Sugar Millers Corp. projeta que a produção de açúcar da Tailândia na safra 2026/27 poderá recuar 17%, para 10 milhões de toneladas, em consequência da seca. Na Europa, dados da Comissão Europeia/Mars e estimativas da Associação da Indústria de Açúcar da Alemanha indicam queda de 19% na fabricação do bloco, para 13,4 milhões de toneladas. A produção deverá recuar 15% na França e 23,4% na Alemanha, para 3,386 milhões de toneladas. No Brasil, o avanço de uma frente fria com chuvas sobre Paraná, São Paulo e o sul de Minas Gerais provoca paralisações temporárias na moagem.
Nos dados oficiais, o Ministério da Agricultura (Mapa) reportou queda de 7,9% na fabricação acumulada na primeira quinzena de agosto, para 3,31 milhões de toneladas, e recuo de 12,4% até julho, para 16,92 milhões de toneladas. As perspectivas de déficit estrutural no mercado mundial também sustentam o cenário de preços. A ISO estima déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Green Pool Commodity Specialists projeta déficit de 3,2 milhões de toneladas e o Itaú BBA, de 1,4 milhão de toneladas. Goldman Sachs e Citi também mantêm projeções de preços em níveis elevados, com estimativa de 19 centavos de dólar por libra-peso em três meses e 22 centavos em 12 meses, sob risco de ocorrência de El Niño segundo o Climate Prediction Center (CPC) da NOAA. A valorização, contudo, foi limitada pelas medidas adotadas pelo governo da Índia para conter os estoques domésticos, pelo elevado volume de açúcar exportado pelo Brasil e pela alta do dólar no mercado brasileiro.
Em documento oficial, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque dos negociantes entre 15 de setembro e 20 de novembro, com o objetivo de evitar o represamento do produto e ampliar a oferta no mercado interno, reduzindo a necessidade de importações. A medida reforça as projeções da consultoria Greenleaf e de Michael McDougall de que as compras externas da Índia deverão ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, abaixo da cota de 1 milhão de toneladas de importação isenta de tarifa autorizada pelo governo. Também contribuem para esse cenário as avaliações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (ISMA) e da Federação Nacional das Cooperativas de Açúcar (NFCSF), que projetam estoques de passagem de 3,5 milhões de toneladas no fim de setembro.
No comércio exterior brasileiro, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 2,698 milhões de toneladas de açúcar bruto em agosto, aumento de 44,6% ante o mesmo mês do ano anterior. Paralelamente, a Hedgepoint Global Markets projeta que as usinas do Centro-Sul poderão elevar para 47,7% a parcela da cana destinada à produção de açúcar, resultando em fabricação entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas. A estimativa está alinhada à projeção da Czarnikow, de produção entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas. No mercado financeiro, relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostrou que os fundos especulativos elevaram a posição líquida comprada na ICE para 132.496 contratos, maior nível em três anos. O posicionamento elevado aumenta a vulnerabilidade das cotações a movimentos de realização de lucros.