09/Sep/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em leve alta nesta terça-feira (08/09) na Bolsa de Nova York, na retomada das negociações após o feriado do Labor Day nos Estados Unidos (07/09). O vencimento outubro, referência atual e mais líquido do mercado, avançou 3 pontos, ou 0,17%, e fechou a 18,10 centavos de dólar por libra-peso. As projeções de forte queda na produção da Tailândia e da Alemanha, a desvalorização do dólar no Brasil e no exterior e a sustentação das cotações do petróleo deram suporte aos preços. A Thai Sugar Millers Corp. projeta que a produção tailandesa de açúcar na safra 2026/27, no segundo maior exportador mundial, pode recuar 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Europa, a Associação da Indústria de Açúcar da Alemanha estima queda de 23,4% na fabricação alemã de açúcar refinado, para 3,386 milhões de toneladas, em consequência da redução da área cultivada com beterraba e da seca prolongada.
No mercado de energia, o petróleo WTI avançou 0,32%, para US$ 97,00 por barril, fortalecendo a paridade dos biocombustíveis e dando suporte adicional ao açúcar. As perspectivas de déficit global também contribuem para limitar a pressão baixista sobre as cotações no médio e longo prazo. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, enquanto a Green Pool Commodity Specialists estima déficit de 3,2 milhões de toneladas. O Itaú BBA trabalha com déficit de 1,4 milhão de toneladas. O Citi projeta o açúcar a 19 centavos de dólar por libra-peso em três meses e 22 centavos de dólar por libra-peso em 12 meses, considerando o risco de El Niño apontado pelo Climate Prediction Center (CPC) da NOAA. A valorização, contudo, foi limitada pelas medidas adotadas pelo governo da Índia para reduzir estoques, pelo forte volume exportado pelo Brasil em agosto e pela expectativa de manutenção de elevado direcionamento da cana para produção de açúcar no Centro-Sul.
O governo indiano reduziu de 400 toneladas para 200 toneladas o limite de estoque permitido aos comerciantes entre 15 de setembro e 20 de novembro. A medida busca evitar o represamento de açúcar e ampliar a oferta no mercado doméstico, reduzindo a necessidade de importações. A decisão está alinhada às projeções da consultoria Greenleaf, que estima compras externas da Índia entre 300 mil e 500 mil toneladas, bem abaixo da cota de 1 milhão de toneladas autorizada. Notas oficiais da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma) e da Federação Nacional das Cooperativas de Açúcar (NFCSF) também apontam condições de abastecimento e estoques de passagem de 3,5 milhões de toneladas ao fim de setembro. No comércio exterior brasileiro, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o País exportou 2,698 milhões de toneladas de açúcar bruto em agosto, aumento de 44,6% ante igual mês de 2025.
A oferta brasileira também permanece como fator de pressão sobre os preços internacionais, diante do ritmo elevado das exportações. No Centro-Sul, relatório da Hedgepoint Global Markets projeta que as usinas podem elevar a parcela da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar para até 47,7%, com produção estimada entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas. A projeção está próxima da estimativa da Czarnikow, de 39 milhões a 39,5 milhões de toneladas. No mercado financeiro, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram que os fundos especulativos elevaram a posição líquida comprada em açúcar na ICE para 132.496 contratos na semana encerrada em 1º de setembro, maior nível em três anos. A elevada exposição comprada aumenta a possibilidade de realização de lucros e limita o potencial de valorização das cotações no curto prazo.