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08/Sep/2026

“Canetas emagrecedoras”: efeito varia entre obesos

Estudo realizado por pesquisadores da Mayo Clinic e publicado na revista Gastroenterology identificou um perfil de pacientes com obesidade que apresentou resposta maior ao tratamento com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. Os chamados análogos de GLP-1, como semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, e tirzepatida, ampliaram nos últimos anos as opções disponíveis para o tratamento da obesidade. Essas substâncias reproduzem a ação do hormônio intestinal GLP-1, que reduz o apetite e retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade. A tirzepatida apresenta mecanismo adicional por também simular a ação do GIP, outro hormônio intestinal, o que contribui para efeitos mais intensos sobre o metabolismo e o controle do apetite. Os pesquisadores avaliaram 483 adultos com obesidade e identificaram três grupos com características metabólicas distintas.

Um deles, denominado de intestino faminto, era composto por 130 participantes e apresentava esvaziamento gástrico mais rápido, maior sensação de fome após as refeições e níveis de GLP-1 inferiores aos esperados. Nesse grupo, os níveis de GLP-1 medidos durante os 90 minutos posteriores à refeição foram cerca de 38% inferiores aos observados nos demais participantes. Também foram identificados níveis reduzidos de PYY e CCK, hormônios associados à regulação da saciedade. A resposta à tirzepatida foi avaliada em uma parcela menor da amostra, formada por 61 participantes. Após seis meses de tratamento, os indivíduos classificados como portadores do perfil de intestino faminto apresentaram perda média de 21,5% do peso corporal. Nos outros dois grupos, as reduções médias foram de 12,1% e 10,8%, respectivamente.

A diferença observada sugere que características relacionadas ao funcionamento gastrointestinal e à sinalização hormonal da saciedade podem influenciar a resposta ao tratamento com tirzepatida. O perfil identificado pode apresentar maior benefício com medicamentos que ampliam e prolongam a sensação de saciedade. Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que as conclusões ainda precisam ser confirmadas em estudos maiores e prospectivos. A identificação dos diferentes perfis metabólicos pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais individualizadas no tratamento da obesidade, mas não deve ser considerada isoladamente para determinar a escolha terapêutica. As subclassificações metabólicas podem se sobrepor em um mesmo paciente e podem sofrer alterações ao longo da vida, o que limita a utilização dos fenótipos como critério isolado para definição do tratamento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.