08/Sep/2026
Liquidadas no dia 3 de setembro pelo Banco Central (BC), Trustee e Banvox estavam entre os alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em setembro do ano passado. A ação expôs como o crime organizado se infiltrou na economia formal por meio de postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento, em um esquema que envolvia bilhões de reais em fraudes e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, criminosos utilizavam a estrutura de diversas gestoras, principalmente por meio de teias de fundos que dificultavam a identificação da origem e do destino dos recursos, bem como de seus controladores e beneficiários, para lavar dinheiro obtido de forma ilícita. As duas instituições eram ligadas a Maurício Quadrado, que foi sócio do Banco Master entre 2020 e 2024. Antes de se tornar sócio do Master, Quadrado teve contas na Suíça congeladas após denúncias de pagamento de propina no âmbito das operações Sépsis e Cui Bono, deflagradas a partir de 2016 como desdobramentos da Operação Lava Jato.
Mesmo tendo mantido ativos financeiros no exterior indisponíveis entre 2018 e 2022, ele recebeu autorização do Banco Central para se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Master. A defesa de Quadrado afirmou, à época, que ele "desconhecia haver um inquérito policial que o investigava por corrupção à época, mesmo com o fato de ele ter uma conta no exterior bloqueada pertencente a um truste patrimonial" (estrutura voltada à proteção de patrimônio e sem movimentação constante). A Banvox foi fundada em 1984 e recebeu autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para administrar carteiras de investimento em 1991. Em 2016, porém, a companhia passou a concentrar suas atividades na administração e custódia de fundos próprios. Entre 2021 e 2024, a empresa registrou forte crescimento: o patrimônio líquido sob administração aumentou quase sete vezes. Segundo dados disponíveis no site da companhia no ano passado, a Banvox administrava R$ 10 bilhões em dezembro de 2021.
Em julho de 2024, último dado divulgado, o montante havia chegado a R$ 67,3 bilhões. No mesmo período, o número de fundos passou de 345 para 408. A Banvox DTVM também administrava pelo menos um fundo que estava na mira da Operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com o crime organizado: o fundo imobiliário Los Angeles 1, posteriormente rebatizado de Lucerna. Segundo os promotores da operação, o fundo mantinha fluxos financeiros com a instituição de pagamentos BK Bank, apontada como uma das empresas utilizadas pelo grupo criminoso para o envio e o recebimento de recursos. A Banvox afirmou, à época, que, por orientação de sua área de compliance, já havia renunciado à administração do fundo antes da deflagração da operação da Polícia Federal. A empresa também disse não ter qualquer relação pessoal com os cotistas do fundo investigado. Fonte: Broadcast Agro.