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04/Sep/2026

Açúcar: Índia reduz importações e pressiona futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em forte queda na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (03/09), em movimento de realização de lucros após atingirem, na sessão anterior, a maior cotação de fechamento em 16 meses e meio. O vencimento outubro recuou 63 pontos, equivalente a 3,37%, e fechou a 18,07 centavos de dólar por libra-peso. As ordens de venda foram lideradas pelas medidas adotadas pelo governo da Índia para reduzir os estoques de negociantes, pelas declarações de oferta suficiente no país, pela perspectiva de aumento da participação do açúcar no mix de produção das usinas brasileiras e pela venda de posições por fundos especulativos. O governo indiano reduziu de 400 toneladas para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido aos negociantes entre 15 de setembro e 20 de novembro.

A medida busca evitar o represamento do produto e ampliar a oferta no mercado doméstico, reduzindo a necessidade de importações. Paralelamente, a Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma) e a Federação Nacional das Cooperativas de Açúcar (NFCSF) informaram, em comunicado conjunto, que não há expectativa de escassez durante a temporada de festivais e projetaram estoque de passagem de 3,5 milhões de toneladas ao fim de setembro. As compras externas da Índia devem ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, volume significativamente inferior à cota de importação isenta de 1 milhão de toneladas. A perspectiva de menor participação da Índia no mercado internacional reduziu o suporte às cotações. No Brasil, relatório da Hedgepoint Global Markets projeta que as usinas do Centro-Sul podem elevar a participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar para até 47,7%.

A produção regional é estimada entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas, em linha com a projeção da Czarnikow, de 39 milhões a 39,5 milhões de toneladas. No mercado financeiro, dados da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostraram posição comprada elevada dos fundos, deixando os preços mais vulneráveis a movimentos de realização de lucros. As perdas foram parcialmente limitadas pelas projeções de déficit global de açúcar, pelas paralisações da moagem provocadas por chuvas no Brasil e pela valorização do petróleo. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) manteve a estimativa de déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27. O cenário também é reforçado por projeções do Citi, que trabalha com preço de 19,00 centavos de dólar por libra-peso em três meses e 22,00 centavos de dólar por libra-peso em 12 meses sob risco de El Niño, segundo as projeções da NOAA, além de avaliações do Goldman Sachs sobre gargalos de oferta e da Green Pool Commodity Specialists, que estima déficit global de 3,2 milhões de toneladas.

No mercado brasileiro, a World Weather indica que as precipitações no Paraná, em São Paulo e no sul de Minas Gerais vêm interrompendo a moagem de cana-de-açúcar. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontam retração acumulada de 12,4% na fabricação de açúcar até julho, para 16,92 milhões de toneladas. No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 1,29%, alta de US$ 1,17, para US$ 91,77 por barril, reforçando a paridade de preços do etanol e limitando a pressão baixista sobre o açúcar. Na Europa, o Observatório da União Europeia projeta queda de 19% na produção de açúcar, para 13,4 milhões de toneladas, em razão da seca na França. Alertas da Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar e da Tereos também indicam impactos negativos das condições climáticas sobre a produção europeia.