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04/Sep/2026

Eletrificação da frota reduzirá demanda por combustíveis

Segundo estudo do Bradesco, o avanço dos veículos eletrificados no Brasil poderá reduzir em cerca de 20% o consumo combinado de gasolina e etanol hidratado até 2035. A demanda por combustíveis do ciclo Otto, atualmente próxima de 62 bilhões de litros por ano, deverá entrar em trajetória gradual de retração à medida que a frota eletrificada ampliar sua participação. A projeção considera uma frota de aproximadamente 11,77 milhões de veículos eletrificados em 2035, composta por 4,71 milhões de veículos totalmente elétricos (BEVs), 4,12 milhões de híbridos plug-in (PHEVs) e 2,94 milhões de híbridos convencionais (HEVs). Com essa composição, a eletrificação poderá evitar o consumo de aproximadamente 12,1 milhões de m³ de combustíveis do ciclo Otto por ano, equivalentes a 12,1 bilhões de litros. O impacto sobre a demanda por combustíveis deverá ocorrer de forma gradual. Embora os veículos eletrificados possam responder por cerca de 55% dos licenciamentos anuais de veículos leves em 2035, deverão representar aproximadamente 31% da frota total, estimada em 38,5 milhões de veículos.

A frota a combustão continuará predominante em razão da idade do parque circulante e do ritmo de renovação dos veículos. Os veículos flex-fuel ainda deverão responder por aproximadamente 70% da frota em circulação em 2035. Nesse cenário, a transição brasileira tende a ocorrer pela convivência entre eletrificação e biocombustíveis, e não pela substituição imediata dos motores a combustão. A expansão dos veículos híbridos é particularmente relevante para a cadeia sucroenergética, diante da estratégia das montadoras instaladas no País de priorizar modelos híbridos, favorecidos pela disponibilidade de etanol e pela tecnologia flex-fuel desenvolvida no mercado brasileiro. A indústria automotiva já anunciou investimentos de aproximadamente R$ 130 bilhões até 2030. A combinação entre eletrificação e biocombustíveis deverá caracterizar a transição brasileira, favorecida também pelos incentivos do programa Mover e pelo calendário de elevação do Imposto de Importação sobre veículos eletrificados.

O mercado de veículos eletrificados apresenta crescimento acelerado. Entre janeiro e julho de 2026, foram licenciados 1,63 milhão de veículos no Brasil, alta de 19,4% ante igual período de 2025. Os eletrificados alcançaram participação de 16% das vendas, com 95,6 mil unidades de híbridos, entre HEV e PHEV, crescimento de 72,5%, e 116,6 mil BEVs, alta de 209%. Os veículos flex-fuel também cresceram 10%, mas perderam participação relativa no mercado. A expansão dos eletrificados é favorecida pela queda relativa dos preços, pelas importações e por incentivos estaduais e municipais. A infraestrutura de recarga, entretanto, continua sendo um limitador. O número de pontos de recarga aumentou de cerca de 800 em 2021 para 14.827 em 2025, mas aproximadamente 30% estão concentrados no estado de São Paulo e apenas 16% são carregadores rápidos. A redução estrutural do consumo de combustíveis líquidos representa, por outro lado, um desafio para os produtores de etanol.

Em um ambiente de menor crescimento da demanda doméstica, períodos de oferta elevada poderão pressionar as margens do setor e aumentar a volatilidade dos preços. Nesse contexto, a cadeia sucroenergética deverá buscar novos mercados para o etanol além do transporte rodoviário. Entre as alternativas estão a utilização do biocombustível no transporte marítimo e em máquinas agrícolas, além da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do etanol. A elevação da mistura de etanol anidro para 35%, prevista para os próximos anos, também tende a ampliar a absorção da produção doméstica e poderá contribuir para a formação de excedentes exportáveis de combustíveis fósseis. A expansão dos veículos eletrificados exigirá investimentos relevantes na infraestrutura energética brasileira. Com uma frota futura de aproximadamente 11,8 milhões de veículos eletrificados, a demanda anual de eletricidade para recarga poderá atingir 13,5 TWh, cerca de 21 vezes o consumo atual associado ao segmento.

A capacidade instalada de baterias necessária poderá alcançar 153 GWh, também 21 vezes acima do nível atual. O planejamento da geração, transmissão e distribuição de energia, assim como a expansão da cadeia de baterias e de minerais críticos, será determinante para viabilizar a eletrificação em larga escala no País. A evolução da infraestrutura energética deverá acompanhar o crescimento da frota para evitar restrições à expansão do mercado de veículos eletrificados. No cenário global, a eletrificação avança em ritmo ainda mais acelerado. As vendas mundiais de veículos elétricos somaram cerca de 4 milhões de unidades no 1º trimestre de 2026, enquanto a projeção para o ano é de 23 milhões de unidades. Até 2035, a frota global poderá superar 500 milhões de veículos elétricos, que responderiam por cerca de 50% das vendas mundiais de automóveis. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.