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03/Sep/2026

Açúcar: projeção de déficit global eleva os futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (02/09), acumulando a terceira sessão consecutiva de ganhos e atingindo a maior cotação de fechamento em 16 meses e meio. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, avançou 34 pontos, ou 1,85%, e fechou a 18,70 centavos de dólar por libra-peso. A revisão da Organização Internacional do Açúcar (OIA), que passou a projetar déficit global na safra 2026/27, as avaliações otimistas do Citi, a forte alta do petróleo, a queda do dólar no Brasil e as chuvas no Centro-Sul sustentaram as compras nos contratos internacionais. A OIA estima déficit mundial de 200 mil toneladas na temporada 2026/27, revertendo o superávit de 1,1 milhão de toneladas registrado no ciclo anterior.

Em meio à perspectiva de maior aperto na oferta, o Citi elevou a projeção para o açúcar negociado na ICE para 19,00 centavos de dólar por libra-peso em três meses e 22,00 centavos de dólar por libra-peso em 12 meses. O Citi considera o fortalecimento do fenômeno El Niño, cuja probabilidade de ocorrência de um evento muito forte supera 90%, segundo o Climate Prediction Center (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). No Brasil, a World Weather aponta que o avanço das instabilidades sobre Paraná, São Paulo e sul de Minas Gerais está provocando paralisações temporárias na moagem de cana-de-açúcar. Nos dados oficiais, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) aponta retração acumulada de 12,4% na produção de açúcar do Centro-Sul até julho, para 16,92 milhões de toneladas.

No mercado de energia, o petróleo WTI avançava 1,16%, equivalente a US$ 1,10, para US$ 94,65 por barril, fortalecendo a paridade teórica do biocombustível no mercado interno. O cenário de maior aperto global também é sustentado pela expectativa de queda de 19% na produção da União Europeia, para 13,4 milhões de toneladas, conforme o Observatório do bloco. Outras estimativas apontam déficits de 3,2 milhões de toneladas pela Green Pool Commodity Specialists em 2026/27, de 1,4 milhão de toneladas pelo Itaú BBA e de 2,9 milhões de toneladas pela Czarnikow em 2027/28. Por outro lado, a possibilidade de altas ainda mais expressivas é limitada pela capacidade das usinas brasileiras de ampliar o mix de produção em favor do açúcar e pela revisão das perspectivas para as importações da Índia.

A Hedgepoint Global Markets estima que o Centro-Sul poderá elevar a participação da cana-de-açúcar destinada à produção de açúcar para até 47,7%, caso as condições climáticas permitam. Nesse cenário, a produção regional poderia alcançar entre 39 milhões e 40 milhões de toneladas, em linha com a revisão da Czarnikow para uma faixa de 39 milhões a 39,5 milhões de toneladas. As perspectivas para as compras indianas também limitam a percepção de aperto. As importações efetivas da Índia podem ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, significativamente abaixo da cota autorizada de 1 milhão de toneladas. Essa avaliação é respaldada por posicionamentos da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma), que descartam risco de desabastecimento no mercado doméstico.