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03/Sep/2026

Açúcar: El Niño eleva risco a Brasil, Índia e Tailândia

O Goldman Sachs avalia que um super El Niño pode restringir a oferta global de açúcar, considerando que Brasil, Índia e Tailândia respondem por aproximadamente 70% das exportações mundiais e estão particularmente expostos aos riscos de seca e inundações associados ao fenômeno climático. A preocupação com perdas de produção pode levar os países produtores a adotar restrições preventivas às exportações, o que representaria um risco maior para a oferta global do que as próprias perdas potenciais nas safras. O El Niño pode reduzir a disponibilidade de açúcar para exportação por quatro canais principais. A ocorrência de seca durante o período de desenvolvimento da cana-de-açúcar pode reduzir a produtividade por hectare.

Inundações durante a colheita podem prejudicar as operações e diminuir o teor de açúcar da matéria-prima. Uma safra de milho mais fraca pode direcionar maior volume de cana para a produção de etanol, reduzindo a quantidade de açúcar disponível para exportação. Além disso, eventuais restrições aos embarques pelos principais países produtores podem ampliar a redução da oferta no mercado internacional. No curto prazo, até outubro de 2026, o Goldman Sachs identifica risco de baixa para os preços do açúcar caso o teor de açúcar da cana na atual safra brasileira se recupere após as chuvas fortes registradas até junho. Uma eventual confirmação dessa recuperação nos próximos relatórios da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) poderia elevar a produção brasileira acima das expectativas atuais.

No mesmo período, a continuidade da seca na Índia e na Tailândia pode reduzir o volume da colheita prevista entre novembro de 2026 e abril de 2027. A Índia responde por cerca de 6% das exportações globais de açúcar, já proibiu embarques e pode se tornar importadora líquida da commodity. Entre outubro de 2026 e abril de 2027, a atenção do mercado deverá se concentrar na temporada de cultivo da cana no Brasil para a safra de 2027. A ocorrência de seca durante esse período poderá reduzir os volumes produzidos. Entre janeiro e abril de 2027, uma eventual seca durante o ciclo do milho brasileiro também poderá enfraquecer a produção do cereal, elevando a demanda por etanol de cana-de-açúcar e, consequentemente, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.