03/Sep/2026
O mercado mundial de açúcar deve passar de um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26 para um déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, segundo a atualização de agosto do balanço da Organização Internacional do Açúcar (OIA). A projeção considera que os preços mais elevados devem estimular o Brasil a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de açúcar. O principal risco para as estimativas de oferta nos próximos meses é o fenômeno climático El Niño, que pode comprometer a produção em importantes regiões produtoras. Para 2025/26, a OIA reduziu em 1,1 milhão de toneladas a estimativa de superávit, de 2,2 milhões de toneladas projetadas em maio. Para 2026/27, a entidade prevê aumento de 800 mil toneladas no consumo mundial, para 180,4 milhões de toneladas.
Na safra 2025/26, a demanda global deve crescer 0,5%, equivalente a 900 mil toneladas, atingindo 179,6 milhões de toneladas. Apesar do déficit projetado entre produção e consumo em 2026/27, o excedente comercial disponível entre outubro de 2026 e setembro de 2027 deve alcançar 1,3 milhão de toneladas, considerando a possibilidade de redução dos estoques globais. Uma deterioração das perspectivas de produção poderá levar rapidamente o balanço mundial a um déficit mais expressivo, aumentando o suporte aos preços do açúcar. A produção mundial de etanol combustível deve alcançar 130,1 bilhões de litros em 2026, alta de 6%, enquanto o consumo é estimado em 127 bilhões de litros, avanço de 3,6%. Com isso, a OIA projeta excedente global de 3,1 bilhões de litros no ano. A estimativa para a produção brasileira de etanol em 2026 foi revisada para cima, para 38,3 bilhões de litros, aumento de 1,76 bilhão de litros em relação à projeção anterior.
A revisão reflete a manutenção de um mix de produção mais direcionado ao etanol. A OIA também considera o início, em 1º de agosto, da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina, o E32, que deve acrescentar cerca de 1 bilhão de litros por ano à demanda doméstica brasileira. Na Índia, a previsão de produção de etanol foi reduzida em 750 milhões de litros e está agora estimada em 11,3 bilhões de litros. A revisão decorre das limitações impostas pelo mandato de mistura, e não de restrições na capacidade produtiva. Os grãos continuarão sendo a matéria-prima marginal para a produção de etanol no Brasil e responderão pela maior parte da necessidade adicional da Índia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.