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02/Sep/2026

Açúcar: futuros em alta com projeção de déficit

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta terça-feira (1º/09) na Bolsa de Nova York, sustentados principalmente pela projeção de déficit global divulgada pela Organização Internacional do Açúcar (ISO), pela forte valorização do petróleo no exterior, pelo recuo do dólar no Brasil e pelos riscos climáticos para a moagem no Centro-Sul. O vencimento outubro, referência atual e o mais líquido do mercado, avançou 55 pontos, equivalente a 3,09%, e fechou a 18,36 centavos de dólar por libra-peso. A ISO projetou déficit mundial de 200 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27, revertendo o superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para 2025/26. A mudança no balanço global reforçou as ordens de compra e ampliou a percepção de aperto da oferta para o próximo ciclo, em um cenário que também conta com projeções de déficits mais elevados de outras consultorias. No mercado de energia, o petróleo WTI subia 3,71%, para US$ 90,49 por barril.

A valorização fortaleceu a paridade teórica do biocombustível no mercado brasileiro e aumentou o incentivo para que as usinas preservem espaço para o etanol em seu mix produtivo. No Brasil, o avanço de áreas de instabilidade sobre o Paraná, São Paulo e o sul de Minas Gerais aumenta o risco de interrupções temporárias dos trabalhos de moagem, conforme previsões da World Weather. Do lado dos dados oficiais, o Ministério da Agricultura (Mapa) reportou retração acumulada de 12,4% na fabricação de açúcar no Centro-Sul até julho, para 16,92 milhões de toneladas, reforçando a percepção de menor disponibilidade de açúcar na região neste momento da safra. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia projeta queda de 19% na produção do bloco, para 13,4 milhões de toneladas, em razão dos impactos da seca na França.

A Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar prevê retração superior a 20% na produção francesa, enquanto alertas da Tereos também reforçam o cenário de menor oferta. No médio prazo, estimativas de déficit global da Green Pool Commodity Specialists, de 3,2 milhões de toneladas para 2026/27, do Itaú BBA, de 1,4 milhão de toneladas, e da Czarnikow, de 2,9 milhões de toneladas para 2027/28, sustentam a perspectiva de maior aperto estrutural no mercado. Por outro lado, fatores de oferta e câmbio limitaram uma valorização ainda mais expressiva. As perspectivas de ampliação do mix açucareiro no Brasil reforçavam a expectativa de maior disponibilidade de açúcar brasileiro. A Hedgepoint Global Markets projeta que as usinas do Centro-Sul poderão elevar o mix de açúcar para até 47,7%, caso as condições climáticas permitam, levando a produção regional para perto de 40 milhões de toneladas.

A estimativa está alinhada à revisão da Czarnikow, que trabalha com produção entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas na região. As perspectivas para a demanda indiana também limitaram o potencial de alta. Relatórios da Greenleaf indicam que as compras efetivas da Índia podem ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, abaixo da cota autorizada de 1 milhão de toneladas. A expectativa de importações menores é reforçada por manifestações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma), que não identifica cenário de desabastecimento no mercado doméstico. O conjunto de fatores mantém o mercado internacional de açúcar sustentado pela combinação de déficit projetado para 2026/27, riscos climáticos em importantes regiões produtoras, valorização do petróleo e menor disponibilidade em determinados mercados, enquanto a capacidade de ampliação do mix açucareiro brasileiro e a possibilidade de importações indianas inferiores à cota autorizada funcionam como fatores de contenção para altas mais acentuadas.