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02/Sep/2026

Adoçante proteico 3.500 vezes mais doce que açúcar

Uma proteína adoçante desenvolvida em laboratório apresentou, em ensaio clínico, potência 3.500 vezes superior à do açúcar comum, sem provocar alterações relevantes nos níveis de glicose ou insulina no sangue dos participantes. O resultado corresponde ao primeiro ensaio clínico realizado com esse tipo de substância e foi publicado na revista científica Food Chemistry. O adoçante, denominado sweelin, foi desenvolvido pela empresa israelense Amai Proteins a partir do estudo da serendipity berry (Dioscoreophyllum cumminsii), fruta encontrada na África Ocidental e Central que produz a proteína monellin, entre 1.500 e 2.000 vezes mais doce que o açúcar em sua forma original. A Amai Proteins utiliza inteligência artificial para redesenhar a proteína e fermentação de precisão para produzi-la em escala industrial, sem depender da utilização da fruta in natura. O produto final é um pó branco solúvel em líquidos, resistente a altas temperaturas e utilizado em quantidades muito pequenas.

Menos de 3 miligramas são suficientes para adoçar um copo de chá gelado. Segundo a Amai Proteins, o sweelin pode substituir até 70% do açúcar em determinadas formulações industriais. As proteínas doces são moléculas encontradas naturalmente em algumas frutas tropicais que ativam os receptores responsáveis pela percepção do sabor doce na língua, mas não são metabolizadas pelo organismo da mesma forma que o açúcar. Diferentemente de adoçantes artificiais tradicionais, como o aspartame, essas proteínas são produzidas por organismos vivos. No caso do sweelin, a produção ocorre em laboratório por meio de fermentação, em processo semelhante aos empregados para produzir insulina sintética e enzimas industriais. O ensaio clínico foi conduzido no Centro de Pesquisa Clínica do Tel Aviv Sourasky Medical Center, em Israel, em desenho randomizado, duplo-cego e cruzado. Participaram 19 voluntários saudáveis, que, em visitas separadas, consumiram bebidas adoçadas com sweelin, dextrose, um tipo de açúcar, e stevia, todas ajustadas para apresentar o mesmo nível de doçura.

Os níveis de glicose, insulina e GLP-1, hormônio associado à saciedade após as refeições, foram monitorados durante 120 minutos após o consumo. Os resultados indicaram que a resposta de glicose foi 31 vezes menor com o sweelin do que com a dextrose, enquanto a resposta de insulina foi 81 vezes menor. O comportamento foi semelhante ao observado com a stevia. Os autores consideram relevante a ausência de aumento do GLP-1 para pessoas com diabetes tipo 2, pré-diabetes ou obesidade, condições nas quais picos de glicose após as refeições estão associados ao aumento do risco cardiovascular no longo prazo. O estudo ressalta, porém, que a amostra de 19 participantes é pequena e que o período de observação foi curto, o que limita conclusões sobre os efeitos de longo prazo do sweelin e sua utilização em populações maiores. Em fevereiro de 2026, a Food and Drug Administration (FDA), agência regulatória dos Estados Unidos, concluiu a análise do pedido de status GRAS, sigla em inglês para geralmente reconhecido como seguro, apresentado pela Amai Proteins.

A agência informou não ter ressalvas quanto à segurança do sweelin como adoçante de uso geral. O procedimento segue a mesma via regulatória utilizada por outras empresas do segmento de proteínas doces, como a norte-americana Oobli. Em maio de 2026, o sweelin também recebeu aprovação da agência de alimentos de Singapura e já estava disponível comercialmente em Israel. As autorizações ampliam as possibilidades de comercialização do adoçante desenvolvido a partir da proteína redesenhada em laboratório. O desenvolvimento do sweelin ocorre em um mercado de adoçantes de baixa caloria que vem crescendo em meio à preocupação global com o consumo excessivo de açúcar. No Brasil, 16,6 milhões de pessoas têm diabetes, segundo o Atlas Global do Diabetes 2025, da Federação Internacional de Diabetes, colocando o País na sexta posição mundial em número de casos da doença. Fonte: Época Negócios. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.