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02/Sep/2026

Petróleo em alta com escalada no Oriente Médio

O petróleo fechou em alta de até 5% nesta terça-feira (1º/09), impulsionado pela intensificação das tensões geopolíticas após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informar o início de novos ataques contra alvos no Irã. As operações foram apresentadas como resposta a ações do Irã contra embarcações no Estreito de Ormuz, ampliando as preocupações do mercado com a segurança do fluxo de petróleo e derivados em uma das principais rotas de transporte energético do mundo. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro avançou 5,2%, equivalente a US$ 4,46, e encerrou a sessão a US$ 90,22 por barril.

Na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para novembro subiu 4,6%, ou US$ 4,16, para US$ 94,65 por barril. A escalada militar elevou as preocupações com novos episódios de retaliação e com a possibilidade de agravamento do conflito na região. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou que novas ações iranianas poderiam provocar uma resposta militar ainda mais intensa, enquanto o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, indicou ampliação da pressão econômica sobre o Irã. Explosões foram registradas nas regiões iranianas de Bandar Abbas, Qeshm, Jask e Sirik, além da província de Hormozgan, segundo a agência iraniana IRNA.

No ambiente diplomático, os líderes da Organização para Cooperação de Xangai (OCX) assinaram uma declaração conjunta condenando a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais aplicadas a alguns de seus membros, após uma cúpula de dois dias realizada no Quirguistão. O governo iraniano indicou que responderá de forma intensa aos ataques, enquanto a Embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém emitiu novo alerta de segurança diante do risco de uma escalada imprevista e recomendou maior vigilância aos cidadãos norte-americanos na região. Além das tensões no Estreito de Ormuz, o mercado de energia acompanha a deterioração das condições de oferta de derivados.

O spread do diesel voltou a superar US$ 100,00 por barril, ampliando a atenção sobre a disponibilidade do produto. Ataques contra refinarias russas levaram a Rússia a estender até 30 de setembro a proibição de exportação de produtos, restringindo a oferta para a Europa e aumentando a pressão sobre as refinarias dos Estados Unidos. O movimento reforça o risco de aperto nos mercados de derivados mesmo antes de eventuais interrupções adicionais relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Na Europa, as tensões geopolíticas também se intensificaram.

A Alemanha atribuiu à Rússia a responsabilidade por uma tentativa de ataque com drones contra o aeroporto de Leipzig/Halle em 4 de agosto. A Rússia, por sua vez, sinalizou que responderá às decisões consideradas anti-russas adotadas pelo governo alemão, elevando o risco de novos desdobramentos no ambiente de segurança europeu. A combinação entre os novos ataques dos Estados Unidos ao Irã, o risco de retaliação do Irã, as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz e a redução da oferta de derivados russos amplia o prêmio de risco incorporado às cotações internacionais do petróleo. O mercado passa a monitorar simultaneamente os impactos sobre o fluxo de petróleo no Oriente Médio e a disponibilidade de diesel e outros produtos refinados na Europa e nos Estados Unidos.