01/Sep/2026
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco seguem em alta, mantendo-se acima dos R$ 105,00 por saca de 50 Kg. O Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180) tem média de R$ 108,53 por saca de 50 Kg, forte avanço de 5,69% nos últimos sete dias (R$ 102,69 por saca de 50 Kg). O principal suporte aos preços vem do mercado externo. Na Bolsa de Nova York, os contratos de açúcar bruto com vencimento em outubro/26 estão cotados a 18,19 centavos de dólar por libra-peso, o maior valor desde meados de abril de 2025. A valorização vem sendo sustentada por projeções de menor oferta mundial de açúcar na próxima temporada (2026/27). A Green Pool Commodity Specialists elevou a estimativa de déficit global para 3,2 milhões de toneladas. O Itaú BBA prevê déficit de 1,4 milhão de toneladas na produção mundial de açúcar na temporada 2026/27.
A trading de commodities Czarnikow projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas para a temporada 2027/28. Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas prejudicaram a produtividade da beterraba sacarina em várias regiões. Segundo projeção do Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia, a produção no bloco deve recuar 19% na temporada 2026/27 em comparação com o ciclo anterior, totalizando 13,4 milhões de toneladas. Dentre os principais produtores da União Europeia, a França deve registrar queda superior a 20% no volume, de acordo com a Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar. Na Índia, permanece a incerteza em relação à necessidade de importação do produto. O governo indiano teria autorizado a entrada de 1 milhão de toneladas de açúcar até 31 de outubro de 2026.
No entanto, após a Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma) informar que o país não corre risco de desabastecimento, o volume necessário para importação passou a ser reavaliado. A consultoria Greenleaf estima que as compras externas possam alcançar até 500 mil toneladas. Apesar desse cenário de oferta mais restrita, os futuros são pressionados pela apreciação do dólar em relação ao Real e pela realização de lucros por parte dos fundos especulativos. O contrato Outubro/26 está cotado a 17,56 centavos de dólar por libra-peso, leve baixa de 0,28% nos últimos sete dias. Considerando as médias semanais, o contrato Outubro/26 negociado na ICE Futures registra média de 17,65 centavos de dólar por libra-peso, alta de 1,42% nos últimos sete dias. No mercado doméstico, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a moagem no Centro-Sul somou 38,53 milhões de toneladas na primeira quinzena de agosto, queda de 4,22% frente ao mesmo período da safra anterior.
Ainda assim, com cerca de 75% do açúcar de exportação da safra já fixado pelo Centro-Sul até julho, segundo a Archer Consulting, a recente alta nos preços internos abre espaço para novas fixações dos ciclos 2026/27 e 2027/28. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 12,70 por saca de 5 Kg, elevação de 2,12% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,72 por saca de 1 Kg, alta de 7,24% no mesmo comparativo. O avanço semanal do refinado amorfo é atípico: o Indicador não registrava alta superior a 3% desde a segunda semana de novembro de 2024. Como o produto tende a acompanhar os movimentos do cristal branco com defasagem, grandes variações costumam ser diluídas ao longo de semanas; nesta, porém, o repasse das recentes altas se concentrou de uma só vez. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.