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01/Sep/2026

Açúcar: futuros em alta acompanhando o petróleo

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta nesta segunda-feira (31/08) na Bolsa de Nova York, recuperando-se das perdas da sessão anterior. O vencimento outubro, referência atual e o mais líquido do mercado, avançou 25 pontos, ou 1,42%, e fechou a 17,81 centavos de dólar por libra-peso. A chegada de novas frentes frias com chuvas ao Centro-Sul do Brasil, o forte avanço das cotações do petróleo no exterior, a queda do dólar e a consolidação dos cortes nas estimativas para a safra europeia sustentaram as compras nas bolsas internacionais. O avanço da instabilidade sobre Paraná, São Paulo e sul de Minas Gerais pode paralisar temporariamente os trabalhos de moagem no campo.

No setor de energia, o petróleo WTI avançava 2,35%, alta de US$ 2,07, para US$ 88,10 por barril, fortalecendo a paridade teórica do biocombustível no mercado brasileiro. No Brasil, dados do Ministério da Agricultura (Mapa) apontam retração acumulada de 12,4% na fabricação de açúcar até julho, para 16,92 milhões de toneladas. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê queda de 19% na produção do bloco, para 13,4 milhões de toneladas, em razão da seca na França. A Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar projeta recuo superior a 20% na produção francesa. O cenário de aperto estrutural é reforçado por estimativas de déficit global da Green Pool Commodity Specialists, de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, do Itaú BBA, de 1,4 milhão de toneladas, e da Czarnikow, de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.

Por outro lado, altas mais expressivas foram limitadas pela reavaliação do volume efetivo de importações da Índia e pela elevação das estimativas para a safra brasileira por consultorias. O mercado projeta aquisições efetivas indianas entre 300 mil e 500 mil toneladas, volume bem inferior à cota autorizada de 1 milhão de toneladas. O cenário considera ainda as manifestações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma), que descartam desabastecimento no mercado doméstico. Paralelamente, a Czarnikow elevou a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 para a faixa de 39 milhões a 39,5 milhões de toneladas, refletindo a maior atratividade econômica do açúcar em relação ao etanol.