01/Sep/2026
A Hedgepoint Global Markets avalia que o Brasil deve continuar atuando como principal contrapeso à menor oferta de açúcar esperada em importantes produtores do Hemisfério Norte, mantendo o abastecimento do mercado global apesar dos riscos climáticos associados ao El Niño. A consultoria estima a safra de cana-de-açúcar do Centro-Sul em 635,5 milhões de toneladas, volume que permite às usinas ampliar a produção de açúcar de acordo com a remuneração do adoçante em relação ao etanol. A elevada disponibilidade de cana-de-açúcar no Brasil e a flexibilidade das usinas para ajustar o mix de produção constituem um importante mecanismo de equilíbrio para o mercado internacional. Mesmo com um mix mais conservador, de 47% destinado ao açúcar, a produção brasileira ficaria próxima de 40 milhões de toneladas. Considerando a paridade atual entre os preços de açúcar e etanol, a expectativa é de que as usinas elevem a participação do açúcar para perto de 47,7%.
Esse cenário reduz o risco de transição para um déficit estrutural no mercado global, embora a margem de segurança tenha diminuído. Os fluxos comerciais mundiais devem permanecer superavitários entre o 2º trimestre de 2026 e o 3º trimestre de 2027, ainda que em níveis mais apertados do que os registrados no fim de 2025 e no início de 2026. O principal risco para a oferta mundial está associado à possibilidade de ocorrência de um El Niño forte durante fases relevantes do desenvolvimento da cana em países como Índia e Tailândia, além de produtores da América Central e do México. O fenômeno aumenta o risco de seca, temperaturas elevadas e redução das chuvas, com potencial para provocar revisões negativas nas estimativas de produção. A Índia é considerada a principal variável de risco para o balanço global. A produção do país é estimada em 27,6 milhões de toneladas, volume que não permitiria gerar disponibilidade significativa para exportação.
O governo indiano autorizou a importação de 1 milhão de toneladas, mas toda a cota não necessariamente será utilizada. A possibilidade de importações indianas chegou a levar as cotações internacionais do açúcar a testar 18,00 centavos de dólar por libra-peso. A valorização, contudo, não se sustentou, em parte devido à queda dos preços domésticos na Índia e à existência de mecanismos alternativos para ampliar a disponibilidade interna. Entre essas medidas estão restrições aos estoques das distribuidoras e a redução do direcionamento de açúcar para a produção de etanol. Na Tailândia, a Hedgepoint reduziu a estimativa de moagem para cerca de 88 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. A produção de açúcar é projetada em 9,5 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem ficar próximas de 6 milhões de toneladas. A menor oferta tailandesa afeta os mercados de açúcar bruto e refinado e contribui para a sustentação do prêmio do açúcar branco.
Na Europa, três ondas consecutivas de calor e a seca registradas na França, Alemanha e Polônia prejudicaram a produtividade das lavouras de beterraba. A produção regional é estimada em aproximadamente 14 milhões de toneladas. Esse cenário tende a elevar a necessidade de importações, reduzir a capacidade exportadora e deixar o mercado de açúcar refinado mais apertado. Na China, a produção deve alcançar cerca de 13 milhões de toneladas, enquanto as importações tendem a ficar abaixo das projeções anteriores, favorecidas por estoques confortáveis e menor atratividade da arbitragem. México e América Central permanecem expostos aos riscos climáticos associados ao El Niño. A Ucrânia enfrenta redução da área cultivada e limitações às exportações para a Europa, enquanto a produção da Rússia permanece relativamente estável. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.