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01/Sep/2026

Etanol patina na frota flex e afeta mercado de açúcar

O etanol hidratado está sendo utilizado por apenas 29% da frota brasileira de veículos flex em 2026, apesar da vantagem econômica do biocombustível em relação à gasolina na maior parte do País. O percentual permanece no mesmo patamar desde 2024, acima dos cerca de 22% registrados em 2023, mas ainda distante dos 36,7% observados em 2019, quando a vantagem relativa do etanol sobre a gasolina era menor do que a registrada atualmente. A Datagro estima que o etanol apresentou vantagem de preço em relação à gasolina em 67% do território nacional neste ano, mas essa condição praticamente não alterou sua participação no mercado de combustíveis. A consultoria avalia que a baixa adesão está relacionada, entre outros fatores, à desinformação sobre o etanol e à necessidade de ampliar a comunicação sobre os benefícios do combustível renovável. A evolução tecnológica dos veículos também teria reduzido preocupações antigas relacionadas ao uso do produto.

Caso a participação da frota flex abastecida com etanol hidratado retornasse ao nível de 2019, o consumo do biocombustível seria cerca de 8 bilhões de litros maior do que o atual. O volume é relevante diante da expectativa de aumento de aproximadamente 4,5 bilhões de litros na produção brasileira de etanol na safra 2026/27, de abril de 2026 a março de 2027. A Conab projeta produção recorde próxima de 42 bilhões de litros. A baixa utilização do etanol nos veículos flex tem impactos sobre o mercado global de açúcar e etanol devido à interconexão entre as duas commodities no Brasil. Como maior exportador mundial de açúcar, qualquer alteração no mix produtivo brasileiro é acompanhada pelo mercado internacional, uma vez que a destinação da cana-de-açúcar para açúcar ou etanol influencia diretamente a disponibilidade do adoçante para exportação.

Na safra 2026/27, a produção brasileira de etanol deve crescer principalmente com a expansão da indústria de biocombustível produzido a partir de grãos, especialmente milho, além da maior destinação de cana-de-açúcar para a produção de etanol em detrimento do açúcar e da expectativa de uma safra de cana maior. A menor utilização do etanol hidratado pela frota flex, contudo, limita o potencial de crescimento da demanda doméstica pelo biocombustível. Os subsídios concedidos pelo governo brasileiro para manter os preços da gasolina sob controle também reduzem a percepção da vantagem econômica do etanol. A política busca evitar impactos mais fortes da elevação do petróleo associada à guerra no Irã, mas, na avaliação da Datagro, acaba mascarando a competitividade do biocombustível. O Brasil já importou 2,5 bilhões de litros de gasolina em 2026, ante cerca de 3,5 bilhões de litros em todo o ano de 2025, enquanto a participação do etanol entre os consumidores de veículos flex permanece praticamente estagnada.

Mesmo diante dessas distorções, o etanol continua apresentando vantagem relevante ao consumidor. A Petrobras mantém os preços da gasolina abaixo da paridade de importação, estimada em R$ 4,50 por litro, o que reduz parcialmente o estímulo à migração para o biocombustível. Mais recentemente, o mercado de açúcar passou a incorporar preocupações relacionadas aos efeitos do El Niño e ao anúncio de importação de açúcar pela Índia sem tarifa. A valorização do adoçante tende a estimular um mix de produção um pouco menos direcionado ao etanol do que o inicialmente projetado para o Centro-Sul brasileiro, aumentando a atratividade econômica da produção de açúcar. Nesse ambiente, o preço do etanol também reagiu e acumulou alta de aproximadamente R$ 0,20 desde o início de agosto, após atingir piso próximo de R$ 2,00 por litro ao produtor. O movimento também teve reflexos sobre os preços praticados nas bombas de combustíveis. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.