01/Sep/2026
Segundo levantamento da ValeCard, os preços médios da gasolina, do etanol e do diesel S-10 recuaram pelo terceiro mês consecutivo em agosto. O etanol voltou a liderar as quedas, com redução de 2,06% ante julho, enquanto a gasolina recuou 0,68% e o diesel S-10, 0,51%. Os dados são baseados em transações realizadas entre 1º e 26 de agosto em mais de 25 mil postos credenciados em todo o Brasil. A sequência de quedas consolida o movimento de redução dos preços iniciado em junho, com destaque para o etanol. Desde maio, o biocombustível acumula retração de 7,45%, bem acima das quedas de 1,21% da gasolina e de 1,97% do diesel S-10. Na média nacional, o preço da gasolina passou de R$ 6,821 por litro em julho para R$ 6,774 por litro em agosto, redução de R$ 0,047 por litro. O etanol recuou de R$ 4,365 por litro para R$ 4,275 por litro, queda de R$ 0,090 por litro, enquanto o diesel S-10 passou de R$ 7,196 por litro para R$ 7,159 por litro, redução de R$ 0,037 por litro. A maior retração do etanol amplia a competitividade do biocombustível e reflete a dinâmica de oferta, especialmente nos Estados produtores e nos mercados próximos aos principais polos sucroenergéticos.
A formação dos preços ao consumidor, contudo, continua sendo influenciada por fatores que vão além das refinarias, como custos de distribuição e revenda, tributos, participação do etanol anidro na gasolina, biodiesel e dinâmica regional de abastecimento. Também contribuiu para a composição dos preços dos combustíveis a decisão do governo, anunciada em 26 de agosto, de prorrogar temporariamente a subvenção à gasolina até 9 de setembro. A medida atua como mecanismo para conter repasses e manter os preços do combustível em patamares mais baixos, amortecendo parte das pressões sobre o consumidor final. A gasolina registrou queda pelo terceiro mês consecutivo em 19 Estados. A maior retração porcentual em agosto ocorreu na Bahia, de 1,83%. O Estado também completou três meses consecutivos de redução e acumula queda de 3,89% desde maio, quando o litro custava, em média, R$ 7,324. Na sequência das maiores retrações apareceram Rio Grande do Norte, com -1,75%; Rio Grande do Sul, com -1,29%; Goiás, com -1,26%; e Pernambuco, com -1,24%.
Na direção contrária, o Distrito Federal apresentou a maior alta, de 4,04%, seguido por Amapá, com +1,94%, e Amazonas, com +1,64%. A trajetória da gasolina em agosto ocorreu em um ambiente de menor pressão sobre os preços médios nacionais, mas o valor pago pelo consumidor continuou refletindo custos de distribuição e revenda, tributos e a participação do etanol anidro na composição do combustível, fatores que também explicam as diferenças entre os Estados. No etanol, a queda foi registrada em 25 Estados, sendo o terceiro mês consecutivo em que o biocombustível apresentou recuo mais intenso do que a gasolina e o diesel S-10. Houve altas apenas no Distrito Federal e em Sergipe. A maior redução porcentual ocorreu no Rio Grande do Sul, de 5,55%, seguido por Roraima, com -4,90%; Bahia, com -4,40%; Rondônia, com -4,17%; Acre, com -3,68%; e Amazonas, com -3,52%. Na direção contrária, o Distrito Federal apresentou alta de 4,70%, enquanto Sergipe registrou elevação de 0,13%. São Paulo manteve o menor preço médio nacional do etanol em agosto, de R$ 3,865 por litro, enquanto Sergipe registrou o maior valor, de R$ 5,537 por litro.
O comportamento do biocombustível acompanha o período de maior disponibilidade de produto no mercado e o avanço da oferta da safra sucroenergética, fatores que influenciam os preços do etanol hidratado. A maior queda do etanol também ampliou sua competitividade em relação à gasolina. Considerando o parâmetro de até 70% como referência inicial para veículos flex, 17 Estados ficaram dentro dessa faixa em agosto, ante 13 em julho e 10 em junho. Os melhores índices foram registrados em Roraima, com 54%; Mato Grosso, com 56%; Amapá, com 59%; e São Paulo, com 59%. O diesel S-10 apresentou redução em 19 Estados. Embora a retração tenha sido mais moderada que a registrada pelo etanol, o resultado mantém a trajetória de acomodação dos custos para o transporte de cargas e para empresas dependentes de frotas. As maiores reduções ocorreram em Pernambuco, com -1,88%; Paraíba, com -1,71%; Tocantins, com -1,25%; Minas Gerais, com -1,17%; e Santa Catarina, com -1,13%. Na direção contrária, o Acre registrou a maior alta nacional, de 4,67%, seguido pelo Amapá, com +3,92%.
Também houve elevações no Pará, de 0,96%; Paraná, de 0,85%; Bahia, de 0,84%; e Sergipe, de 0,77%. Apesar da queda nacional, o Norte apresentou dinâmica distinta. Acre, Amazonas, Amapá e Roraima registraram aumento no preço médio do diesel S-10 em junho, julho e agosto, sem interrupção. Desde maio, o Acre passou de R$ 7,378 por litro para R$ 8,233 por litro, alta de R$ 0,855 por litro, equivalente a 11,59%. No Amapá, o avanço acumulado foi de R$ 0,617 por litro, ou 8,36%, enquanto Roraima registrou aumento de R$ 0,625 por litro, equivalente a 8,29%, no período. Na outra ponta, a Região Sul concentrou algumas das maiores reduções acumuladas. No Rio Grande do Sul, o diesel S-10 passou de R$ 6,813 por litro em maio para R$ 6,368 por litro em agosto, queda de R$ 0,445 por litro, ou 6,53%. Em Santa Catarina, o preço recuou de R$ 7,159 por litro para R$ 6,743 por litro, redução de R$ 0,416 por litro, ou 5,81%. O Rio Grande do Sul também manteve o menor preço médio nacional do diesel S-10 em agosto, de R$ 6,368 por litro, enquanto o Acre apresentou o maior valor do levantamento, de R$ 8,233 por litro.
A diferença de R$ 1,865 por litro entre os extremos evidencia a influência das condições logísticas e das especificidades regionais da cadeia de distribuição na formação dos preços. O comportamento de agosto indica um período de maior acomodação no mercado de combustíveis, mas petróleo, câmbio e custos logísticos permanecem como variáveis relevantes, especialmente para o diesel. A manutenção da subvenção ao diesel também exerce papel na contenção dos preços e na redução da pressão sobre o consumidor, contribuindo para o cenário de queda observado no mês. Para os próximos meses, a perspectiva é de ambiente favorável para consumidores e empresas, mas a trajetória dos preços dependerá da evolução do petróleo, do câmbio, dos custos logísticos, das condições de oferta de cada combustível e da continuidade das medidas destinadas a amortecer eventuais pressões sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.