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31/Aug/2026

Açúcar: futuros recuam com a disparada do dólar

Os preços futuros do açúcar demerara fecharam em forte queda na sexta-feira (28/08) na Bolsa de Nova York, em movimento de correção técnica após renovarem as máximas em mais de 16 meses na sessão anterior. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, recuou 63 pontos, equivalente a 3,46%, e fechou a 17,56 centavos de dólar por libra-peso. A valorização expressiva do dólar frente ao Real no mercado doméstico, a realização de lucros por fundos especulativos, a queda do petróleo e a reavaliação das perspectivas para a cota de importação da Índia concentraram as ordens de venda. Nos fundamentos de oferta global, o mercado passou a reavaliar o fluxo efetivo das compras indianas.

Fontes do setor e relatórios indicam que refinadores locais devem redirecionar 350 mil toneladas de açúcar para o mercado interno, enquanto as aquisições externas devem ficar entre 300 mil e 500 mil toneladas, conforme estimativa da consultoria Greenleaf. O volume projetado fica significativamente abaixo da cota autorizada de 1 milhão de toneladas e reforça as avaliações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma) de que não há risco de desabastecimento doméstico. No Brasil, a consultoria Czarnikow elevou a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 para o intervalo entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas.

No comércio exterior, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) registrou desaceleração na média diária dos embarques brasileiros de açúcar em agosto, enquanto a China apresentou queda de 37,5% nas importações em julho. As perdas, contudo, foram limitadas pelas paralisações temporárias da moagem provocadas por chuvas no Centro-Sul do Brasil e pelos severos cortes na produção europeia. Relatórios indicam que as precipitações recentes no Paraná, São Paulo e Minas Gerais interromperam temporariamente os trabalhos de campo. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia projeta queda de 19% na produção do bloco, para 13,4 milhões de toneladas.

A retração é associada principalmente à seca na França, cuja produção pode recuar mais de 20%, segundo a Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar, além dos alertas emitidos pela Tereos. Entre os dados oficiais brasileiros, o Ministério da Agricultura (Mapa) aponta queda de 12,4% na produção acumulada de açúcar até julho, para 16,92 milhões de toneladas. No médio prazo, o cenário de déficit estrutural permanece, com a Green Pool Commodity Specialists elevando sua projeção para o déficit global de açúcar em 2026/27 para 3,2 milhões de toneladas. O Itaú BBA estima déficit de 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28.