28/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em expressiva alta na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (27/08), ampliando os ganhos registrados na sessão anterior. O vencimento outubro, atualmente o de referência e o mais líquido do mercado, avançou 60 pontos, equivalente a 3,41%, encerrando a 18,19 centavos de dólar por libra-peso. A chegada de chuvas ao Brasil, com paralisação da moagem, a forte redução da estimativa de produção de açúcar na União Europeia, a projeção de ampliação do déficit global pela Green Pool Commodity Specialists e a alta do petróleo sustentaram as ordens de compra no mercado internacional. No Brasil, relatórios do consultor Michael McDougall indicam que as precipitações registradas no Paraná, São Paulo e Minas Gerais devem paralisar temporariamente as operações de moagem no Centro-Sul, com potencial para alterar o mix produtivo.
Em dados oficiais, o Ministério da Agricultura (Mapa) informou que a produção acumulada de açúcar no Centro-Sul até julho recuou 12,4% em base anual, para 16,92 milhões de toneladas. Na União Europeia, o Observatório do Mercado de Açúcar informou que a safra 2026/27 do bloco deve recuar 19% em base anual, para 13,4 milhões de toneladas. A redução é atribuída principalmente à seca severa na França, onde a Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar prevê queda superior a 20% ante a média de cinco anos, além de alertas da Tereos sobre a possibilidade de a produção europeia atingir o menor nível desde 1988/89. No balanço global, a Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar na safra 2026/27 para 3,2 milhões de toneladas, reforçando o suporte aos preços futuros. No mercado de energia, o petróleo WTI subia 1,25%, equivalente a US$ 1,10, para US$ 87,84 por barril, contribuindo para melhorar a paridade do etanol e dar sustentação adicional aos contratos de açúcar.
Os ganhos foram limitados pela reavaliação do volume efetivo de importações da Índia, pela valorização do dólar no mercado interno brasileiro e por revisões para cima das estimativas de produção de açúcar no Brasil por consultorias. Fontes de mercado indicam que refinadores indianos devem redirecionar cerca de 350 mil toneladas do adoçante para o mercado interno, volume inferior à cota de 1 milhão de toneladas autorizada pelo governo local. O cenário está alinhado às declarações da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (ISMA), que descartou risco de desabastecimento, e à projeção da consultoria Greenleaf, que estima compras de até 500 mil toneladas. Paralelamente, a consultoria Czarnikow elevou a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 para o intervalo entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas.