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28/Aug/2026

Açúcar: produção de açúcar deve cair no Centro-Sul

Segundo o Rabobank, a produção de açúcar no Centro-Sul deve recuar na safra 2026/27, mesmo com a recente valorização da commodity abrindo espaço para as usinas ampliarem a participação do adoçante no mix de produção a partir de agora. A queda é praticamente certa diante do volume produzido até julho e da forte destinação de cana ao etanol na primeira parte da temporada. Mesmo em um cenário de moagem de 640 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e qualidade semelhante à registrada na safra passada, o mix destinado ao açúcar teria de alcançar 53% entre agosto e o fim do ciclo para que a produção repetisse as 40,4 milhões de toneladas de 2025/26. Diante do mix e da moagem registrados até o momento, é praticamente certo que a produção de açúcar caia em 2026/27, permanecendo como principal variável a magnitude dessa redução.

Até o fim de julho, a produção de açúcar no Centro-Sul somou 16,9 milhões de toneladas, ante 19,2 milhões de toneladas em igual período da temporada anterior. As chuvas de maio e junho interromperam a moagem em diferentes momentos, enquanto a destinação da matéria-prima ao etanol ganhou espaço. Dados indicam mix açucareiro de 42,5% entre abril e junho e de cerca de 44% entre abril e julho. A valorização recente dos preços, porém, pode alterar essa relação daqui para frente. Depois de meses próximos de 14,50 centavos de dólar por libra-peso, o contrato de outubro do açúcar bruto na Bolsa de Nova York chegou a 17,50 centavos de dólar por libra-peso em 19 de agosto, enquanto os contratos de março e maio de 2027 superaram 18,00 centavos de dólar por libra-peso. Em dólares, a valorização foi de cerca de 20% ante a média dos três meses anteriores e, em Reais, de 23%. O baixo nível de fixação de preços para a safra 2026/27 dá às usinas espaço para reagir à mudança na relação entre açúcar e etanol e elevar o mix açucareiro.

No mercado de combustíveis, o etanol também começou a mostrar reação em agosto, embora ainda não esteja claro se o movimento decorre principalmente da alta do açúcar ou de uma recuperação da demanda nos postos após um período de elevada competitividade frente à gasolina. Fora do Brasil, a Índia adicionou suporte às cotações ao autorizar a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar, enquanto monções abaixo da média aumentaram as preocupações com a produção de cana e açúcar do país na safra 2026/27. O movimento, combinado ao quadro brasileiro, levou fundos a reduzirem posições vendidas e contribuiu para a alta recente dos contratos futuros. O clima passa agora a ter peso maior para o restante da safra brasileira. Segundo o Rabobank, condições atípicas podem dificultar a colheita de toda a cana disponível e levar a novas revisões sobre o volume de açúcar que o Brasil terá para exportar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.