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28/Aug/2026

Açúcar: El Niño é principal risco para oferta mundial

O mercado global de açúcar entrou em uma fase de maior volatilidade diante da combinação entre oferta mais apertada, estoques menores e riscos climáticos em importantes regiões produtoras. O El Niño se consolida como um dos principais fatores de risco para a oferta mundial, com possibilidade de provocar períodos mais secos em áreas produtoras de cana da Índia e da Tailândia e afetar a produtividade da beterraba na Europa. A Índia está no centro das atenções após forte alta dos preços domésticos. O país autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa, movimento que inicialmente poderia ampliar a pressão sobre a oferta internacional.

Entretanto, a queda dos preços internos reduziu o interesse de usinas e refinarias, que devem importar cerca de 500 mil toneladas, metade da cota autorizada. A menor demanda potencial limita o impacto altista sobre as cotações internacionais. Apesar disso, o balanço indiano permanece mais restrito. Os estoques finais são estimados em cerca de 3,9 milhões de toneladas, 25% abaixo do ciclo anterior e 40% inferiores à média dos últimos cinco anos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta a produção mundial de açúcar em aproximadamente 184,9 milhões de toneladas na safra 2026/27, queda de cerca de 1,2 milhão de toneladas ante a temporada anterior.

As exportações globais também devem recuar, para aproximadamente 62,3 milhões de toneladas. A menor oferta global ocorre mesmo com uma recuperação expressiva da produção da Índia. O USDA estima a produção indiana em 35,3 milhões de toneladas, alta de aproximadamente 26% ante o ciclo anterior, quando o país foi afetado pelos efeitos do El Niño. A recuperação, entretanto, não elimina os riscos de redução da oferta em outros importantes polos produtores. O El Niño representa atualmente um dos principais riscos climáticos para o mercado mundial de açúcar. O fenômeno pode provocar períodos de menor precipitação em regiões produtoras de cana-de-açúcar da Índia e da Tailândia, além de afetar áreas de produção de beterraba na Europa.

A possibilidade de menor disponibilidade hídrica e de chuvas irregulares amplia a incerteza sobre a produtividade das próximas safras. Nas Filipinas, o USDA já projeta queda de 1% na produção de açúcar em 2026/27, para 1,93 milhão de toneladas, em razão dos potenciais efeitos do El Niño. Na Tailândia, importante exportador mundial, a produção é estimada pelo USDA em 10,3 milhões de toneladas, alta de 2%. Entretanto, os estoques devem recuar à medida que as exportações avançam, reduzindo a capacidade de absorção de eventuais perdas produtivas provocadas pelo clima.

O mercado permanece dividido entre fatores baixistas e altistas. De um lado, a recuperação da produção indiana e a possibilidade de o país importar apenas 500 mil toneladas, metade da cota de 1 milhão de toneladas autorizada, reduzem a pressão imediata sobre os preços internacionais. De outro, estoques globais menores, queda da produção mundial e riscos climáticos associados ao El Niño mantêm elevado o prêmio de risco do açúcar. A evolução das condições climáticas na Ásia e na Europa será determinante para a definição do balanço global de oferta e para o comportamento das cotações ao longo do ciclo 2026/27. Fonte: CNN Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.