28/Aug/2026
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou 16 alvos da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ofensiva contra a lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis adulterados. Os denunciados são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro vinculada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação foi conduzida em conjunto pelo MPSP, Receita Federal e Polícia Federal (PF) e alcançou operações relacionadas ao PCC em postos de combustíveis, distribuidoras e estruturas financeiras localizadas na região da Faria Lima, em São Paulo. A investigação identificou a atuação do crime organizado em setores da economia formal, com conexões envolvendo o mercado de combustíveis e estruturas financeiras. Entre os 16 denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, que está foragido. Ele e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, também foragido, haviam tentado negociar acordos de delação premiada em troca da revogação das prisões e de outros benefícios.
Segundo a Promotoria, os dois omitiram informações relacionadas ao PCC e ofereceram a devolução de valores considerados reduzidos aos cofres públicos. Primo não integra a lista dos 16 denunciados. Também está entre os acusados o empresário Admar de Carvalho Martins, conhecido como Dema, personagem central da Operação Fim de Linha, que investigou negócios do PCC no transporte público de São Paulo. Dema é apontado, ao lado de integrantes da cúpula da organização criminosa, como Décio Gouveia Luiz, conhecido como Décio Português, e de traficantes como Silvio Luiz Ferreira, conhecido como Cebola, como um dos controladores da empresa UPBus, utilizada para lavagem de dinheiro. A Promotoria estima que os acusados tenham movimentado R$ 2,9 bilhões por meio do esquema. A denúncia, com 189 páginas, aponta que a estrutura criminosa envolvia importação irregular e adulteração de combustíveis.
A partir de documentos apreendidos, informações públicas e dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Polícia Federal estimou que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados para utilização irregular em postos de combustíveis. Conforme a denúncia, o esquema funcionou pelo menos entre 2019 e 2025. As instituições de pagamento foram identificadas pela investigação como estruturas relevantes para a lavagem de dinheiro, a ocultação patrimonial e a simulação de negócios jurídicos ilícitos. Entre as principais instituições citadas está o BK Bank. A quebra do sigilo fiscal do BK Bank permitiu rastrear o fluxo dos recursos e identificar a participação da Aster Petróleo, empresa ligada a Beto Louco. A companhia teria movimentado pelo menos R$ 88 milhões, enquanto Beto Louco teria obtido R$ 261,3 milhões em benefícios financeiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.