27/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta quarta-feira (26/08), recuperando-se do recuo da sessão anterior. O vencimento outubro, referência atual e o mais líquido do mercado, avançou 32 pontos, ou 1,85%, e fechou a 17,59 centavos de dólar por libra-peso. Os alertas de forte queda na produção de açúcar na França, a previsão de chuvas com potencial para interromper temporariamente a moagem no Brasil e as estimativas de déficit estrutural no mercado global sustentaram o fluxo comprador. A Associação Francesa de Produtores de Beterraba e Açúcar informou que a produção francesa de açúcar deverá recuar mais de 20% em relação à média dos últimos cinco anos, em consequência da seca e do calor severo no país, maior produtor de açúcar da União Europeia.
No Brasil, a chegada de chuvas ao Centro-Sul pode desacelerar os trabalhos de campo e alterar as projeções para o mix produtivo. Do lado da oferta brasileira, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que a produção acumulada de açúcar até julho recuou 12,4%, para 16,92 milhões de toneladas. O cenário de menor disponibilidade é reforçado por estimativas de déficit global de 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, projetado pelo Itaú BBA, e de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28, estimado pela Czarnikow, além de levantamentos da Green Pool Commodity Specialists, Datagro, StoneX, Covrig Analytics e International Sugar Organization (ISO).
O avanço das cotações, entretanto, foi limitado pela reavaliação das importações da Índia, pela valorização do dólar e pela revisão para cima das estimativas para a safra brasileira. Fontes de mercado indicaram que refinadores indianos devem redirecionar cerca de 350 mil toneladas de açúcar para o mercado interno, volume inferior à cota de importação de 1 milhão de toneladas aprovada pelo governo local. O movimento está alinhado à avaliação da Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma), segundo a qual não há risco de desabastecimento no mercado interno, e à projeção da consultoria Greenleaf, que estima as importações indianas em no máximo 500 mil toneladas. Paralelamente, a Czarnikow elevou a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul brasileiro na safra 2026/27 para entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas.