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27/Aug/2026

Açúcar: seca reduz produção na Europa em 2026/27

Segundo a cooperativa francesa Tereos, a produção europeia de açúcar na temporada 2026/27 deve atingir o menor nível desde a safra 1988/89, em consequência da seca prolongada e de episódios recorrentes de calor intenso registrados desde meados de junho no continente. Estudos realizados em agosto indicam que os rendimentos das lavouras de beterraba açucareira recuaram mais de 20% ante o ciclo anterior, com perdas de 50% a 60% em áreas específicas, e estão 15% abaixo da média dos últimos cinco anos. A menor oferta já se reflete no fortalecimento das cotações no mercado europeu, revertendo a trajetória de queda observada nos últimos dois anos. Para adequar a estrutura industrial à menor qualidade e ao menor volume de beterraba disponível, a Tereos anunciou ajustes em suas oito usinas.

As medidas incluem adiamento do início do processamento, redução da duração média da campanha de 130 para 100 dias, diminuição da velocidade de esmagamento e redirecionamento do mix de produção, com prioridade para a fabricação de açúcar. A recuperação dos preços de venda tende a melhorar o desempenho financeiro do setor, em um cenário marcado pela redução dos estoques, valorização das commodities no mercado internacional e retração contínua da área plantada com beterraba na Europa nos últimos três anos. As medidas operacionais adotadas pela Tereos buscam otimizar a extração e dar suporte aos mais de 10 mil cooperados diante do agravamento dos eventos climáticos. A quebra da produção no bloco europeu se consolida como um dos principais fatores de aperto no balanço global do açúcar.

Estimativas da consultoria StoneX indicam que a produção de açúcar da União Europeia deve recuar 15,3% em 2026/27, para 15 milhões de toneladas. A queda contribui para uma retração de 1,9% na produção mundial, estimada em 192,60 milhões de toneladas, enquanto o consumo global deve avançar para 194,30 milhões de toneladas, resultando em déficit de 1,70 milhão de toneladas. A consultoria Czarnikow projeta déficit global de 900 mil toneladas em 2026/27 e de 2,90 milhões de toneladas em 2027/28. A estimativa considera a menor disponibilidade de matéria-prima na União Europeia, Índia e Tailândia, além da pressão sobre a rentabilidade, que reduz os incentivos para expansão da área plantada.

A deterioração das lavouras ocorre em meio ao ano mais seco já registrado na França, com temperaturas superiores a 41°C em diversas regiões e incêndios florestais em áreas produtivas do sudoeste do país, incluindo Landes e Bordeaux. A combinação de seca severa e ondas de calor mais frequentes acelerou o desenvolvimento da beterraba açucareira na Europa, encurtou o ciclo de cultivo e limitou a acumulação de sacarose nas raízes. O quadro climático e a redução da oferta europeia alteram as perspectivas para o mercado de açúcar, com menor disponibilidade regional, estoques mais restritos e possibilidade de manutenção da pressão altista sobre os preços, especialmente diante de um balanço global projetado em déficit nas próximas temporadas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.