ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

27/Aug/2026

Açúcar: nova diretriz para manejo do diabetes tipo 2

O diabetes tem avançado entre os brasileiros nas últimas duas décadas. Dados do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, mostram que 12,9% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal relataram diagnóstico médico da doença em 2024, ante 5,5% em 2006. Ao mesmo tempo, o avanço do conhecimento sobre a doença e a chegada de novas opções terapêuticas modificaram a abordagem do diabetes tipo 2, responsável por cerca de 90% dos casos no Brasil. Nesse contexto, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) atualizou suas diretrizes e ampliou os objetivos do tratamento para além do controle da glicemia. As novas recomendações promovem mudanças desde a avaliação inicial do paciente até a escolha dos medicamentos e atualizam as orientações para mulheres com diabetes que planejam engravidar.

O tratamento passa a considerar três frentes de cuidado desde o diagnóstico: controle dos níveis de glicose, combate ao excesso de peso e redução do risco de complicações cardiovasculares e renais. Na avaliação inicial, além da glicemia, devem ser considerados o peso e o risco cardiorrenal do paciente. A inclusão do peso entre os pilares do tratamento está relacionada ao maior entendimento sobre o papel da obesidade na evolução do diabetes tipo 2. O excesso de peso pode prejudicar a produção de insulina pelo pâncreas e favorecer o acúmulo de gordura em outros órgãos, contribuindo para a progressão da doença e de suas complicações. O risco cardiorrenal também passa a ser avaliado desde o início do acompanhamento, considerando a possibilidade de o paciente desenvolver ou já apresentar problemas cardiovasculares e renais.

A partir dessa avaliação, o tratamento pode ser direcionado não apenas à redução da glicose no sangue, mas também à prevenção da progressão dessas complicações. Apesar da ampliação dos objetivos terapêuticos, o controle da glicemia permanece fundamental, e o alcance precoce da meta de hemoglobina glicada é considerado importante para reduzir o risco de complicações no longo prazo. Outra mudança está na maior participação de medicamentos que também promovem perda de peso, como semaglutida e tirzepatida. Além de contribuírem para o controle da glicemia e do peso, essas medicações podem proporcionar benefícios cardiovasculares. A recomendação é direcionada a adultos com diabetes tipo 2 e obesidade, com índice de massa corporal (IMC) a partir de 30 Kg/m². Para pacientes com sobrepeso e IMC entre 27 e 29,9 Kg/m², o tratamento pode ser considerado de acordo com as características e os riscos individuais.

A utilização dessas medicações está associada à proteção contra complicações relacionadas ao coração, aos rins e ao metabolismo, e não a objetivos estéticos. Quando existe indicação para o tratamento da obesidade, a abordagem tende a ser de longo prazo, considerando que a obesidade é uma doença crônica e a interrupção da medicação pode resultar em reganho de peso. A participação dessas medicações no tratamento também pode aumentar com a chegada de novos produtos e eventual redução do impacto do preço. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste mês o primeiro medicamento genérico à base de semaglutida, substância utilizada no controle do diabetes tipo 2, doença crônica, e, em doses mais altas, no tratamento da obesidade. O registro foi concedido à farmacêutica EMS. A chegada do produto às farmácias, porém, não deve ocorrer de forma imediata.

Após a aprovação do registro pela Anvisa, ainda é necessária a definição do preço oficial pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A expectativa é de disponibilidade do medicamento nos próximos meses. Para mulheres com diabetes que pretendem engravidar, as novas diretrizes reforçam a importância do controle da glicose, especialmente no início da gestação. Níveis elevados de glicemia nesse período aumentam o risco de más-formações fetais e outras complicações. Mulheres com hemoglobina glicada acima de 9% devem ser aconselhadas a adiar a gravidez e orientadas sobre métodos contraceptivos enquanto buscam melhorar o controle da doença. A decisão sobre engravidar permanece sendo da mulher, mas a orientação profissional deve considerar os riscos associados à hemoglobina glicada acima de 9%. As canetas de agonistas de GLP-1 também não são recomendadas durante a gestação, devido à ausência de evidências suficientes sobre a segurança dessas medicações nessa fase.

Por isso, o tratamento deve ser revisto durante o planejamento da gravidez. Entre crianças e adolescentes, o cuidado começa principalmente pela adoção de hábitos saudáveis. A alimentação adequada e a prática de atividade física desde a infância, com participação da família, são consideradas importantes para controlar o excesso de peso e evitar a progressão de alterações metabólicas. O uso das canetas nessa faixa etária segue critérios específicos conforme a idade e a finalidade do tratamento. A Anvisa autoriza a semaglutida para tratamento da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos, desde que apresentem peso corporal acima de 60 kg. A tirzepatida pode ser utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos. Para controle do peso, porém, a tirzepatida é autorizada apenas para adultos. Dessa forma, a utilização desses medicamentos em crianças e adolescentes varia conforme a substância, a idade e o objetivo terapêutico, seja o tratamento do diabetes tipo 2 ou da obesidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.