27/Aug/2026
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou alerta sobre o uso inadequado de canetas para tratamento da obesidade por crianças e adolescentes, com ênfase na utilização desses medicamentos sem indicação e acompanhamento especializado. Segundo a entidade, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos, incluindo déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e alterações na vesícula biliar. A SBP também alerta para os riscos da utilização desses medicamentos com finalidade exclusivamente estética. A prática pode atuar como gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos associados à imagem corporal. O tratamento com esses medicamentos possui indicações específicas para jovens com obesidade ou diabetes tipo 2 e, mesmo nesses casos, a prescrição deve ser individualizada.
Antes da indicação, o médico deve considerar a gravidade da doença, a presença de outras condições de saúde, a resposta a tratamentos anteriores, os possíveis riscos e a capacidade de acompanhamento do paciente. A SBP considera inadequado utilizar esses medicamentos simplesmente para modificar a aparência corporal ou alcançar padrões estéticos de corpo ideal. Também não recomenda seu uso para perda rápida de peso antes de festas, viagens ou competições, nem como forma de compensar erros alimentares ou sedentarismo. A entidade contraindica ainda produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Até agosto de 2026, três medicamentos da classe das incretinas tinham aprovação da Anvisa para alguma indicação na faixa etária pediátrica: liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Todos são administrados por meio de canetas injetoras de aplicação subcutânea. A liraglutida pode ser indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos e para obesidade a partir dos 12 anos, desde que os pacientes tenham peso superior a 60 Kg. A semaglutida tem indicação para obesidade a partir dos 12 anos, também para pacientes com mais de 60 Kg. A tirzepatida é indicada para diabetes tipo 2 a partir dos 10 anos. De acordo com a SBP, pode ser utilizada isoladamente quando há intolerância ou contraindicação à metformina ou em combinação quando o tratamento com esse medicamento não proporciona controle adequado da glicemia. Esses medicamentos atuam aumentando a sensação de saciedade, reduzindo a ingestão de alimentos e retardando o esvaziamento gástrico. Também produzem efeitos metabólicos, como o estímulo à liberação de insulina em resposta à alimentação.
Os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais e tendem a ocorrer principalmente durante a elevação gradual das doses. Entre eles estão náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação. A SBP também aponta a perda de massa magra como um possível risco associado ao tratamento. Entre as complicações potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e colelitíase, condição caracterizada pela formação de cálculos na vesícula. As evidências disponíveis indicam eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios estudados e associados a mudanças no estilo de vida. O alerta da SBP, portanto, não é contrário ao tratamento devidamente indicado, mas à utilização indiscriminada das canetas em crianças e adolescentes, especialmente sem avaliação médica individualizada e acompanhamento especializado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.