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26/Aug/2026

Açúcar: petróleo e Índia pressionam preços futuros

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em queda na Bolsa de Nova York nesta terça-feira (25/08), intensificando o movimento de realização de lucros e interrompendo a sequência recente de altas. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, recuou 38 pontos, equivalente a 2,15%, e fechou a 17,27 centavos de dólar por libra-peso. A pressão sobre as cotações foi determinada principalmente pela forte queda do petróleo no exterior, pela revisão das expectativas quanto ao volume efetivo de importação da Índia e pela elevação da estimativa da consultoria Czarnikow para a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil na temporada 2026/27. O petróleo WTI recuava 3,99%, equivalente a US$ 3,68, para US$ 92,17 por barril. A redução dos preços do petróleo diminui a competitividade relativa do etanol e tende a favorecer a destinação de maior parcela da cana-de-açúcar para a produção de açúcar.

Nesse contexto, a Czarnikow elevou sua projeção para a produção de açúcar do Centro-Sul em 2026/27 para entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas. Na Índia, a percepção de aperto imediato na disponibilidade perdeu força após a Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (Isma) indicar que não há escassez do produto e que os estoques locais são suficientes para atender à demanda da temporada de festas. A entidade projeta produção de açúcar de 1 milhão de toneladas em outubro. A consultoria indiana Greenleaf, por sua vez, estima que as compras da Índia não devem superar 500 mil a 600 mil toneladas até 31 de outubro, abaixo da cota autorizada de 1 milhão de toneladas. Esse cenário levou os agentes de mercado a reavaliar a velocidade e o volume efetivo de absorção de açúcar pela Índia. A queda foi parcialmente limitada por dados do Ministério da Agricultura (Mapa) indicando redução da produção de açúcar no Brasil e pela relativa estabilidade cambial.

Segundo boletim do Mapa, a fabricação de açúcar no Centro-Sul recuou 17,6% na segunda quinzena de julho, para 3 milhões de toneladas, acumulando retração de 12,4% no ciclo, para 16,92 milhões de toneladas. Apesar da pressão de curto prazo, o cenário de médio prazo continua sustentado por projeções de déficit global. O Itaú BBA estima déficit de 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. Também apontam déficits globais a Green Pool Commodity Specialists, de 3,3 milhões de toneladas; a Datagro, de 1,85 milhão de toneladas; a StoneX, de 1,7 milhão de toneladas; a Covrig Analytics, de 300 mil toneladas; e a Organização Internacional do Açúcar (ISO), de 262 mil toneladas. A combinação entre petróleo mais baixo, menor percepção de necessidade imediata de importações pela Índia e maior estimativa de produção no Centro-Sul brasileiro reforçou a pressão vendedora sobre o açúcar, embora as projeções de déficit global mantenham suporte para as perspectivas de médio prazo.