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26/Aug/2026

Petróleo: rotas marítimas podem redesenhar mercado

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), as mudanças nas rotas marítimas internacionais e a disputa pelo controle de novas áreas de circulação e exploração de petróleo devem ganhar peso na formação dos preços da commodity e na geopolítica global nos próximos anos. O cenário de navegação e segurança marítima passa por rápida transformação, com disputas envolvendo Estados Unidos, China, Rússia e países nórdicos. Nesse contexto, áreas e rotas que anteriormente eram consideradas estáveis passam a ser objeto de novas disputas estratégicas. As discussões internacionais sobre rotas marítimas e o Direito Internacional do Mar ganharam relevância diante da intensificação das tensões entre Estados Unidos e China. Uma eventual mudança nas rotas utilizadas para o transporte de petróleo a partir do Golfo Pérsico, contudo, exigiria investimentos bilionários e muitos anos de maturação, o que limita sua utilização como alternativa de curto prazo.

O comportamento das rotas de circulação marítima deverá, portanto, ser um dos fatores acompanhados na formação dos preços do petróleo. Diferentes configurações geopolíticas e logísticas podem resultar em preços médios do barril na faixa de US$ 80,00, US$ 100,00 ou até US$ 120,00, dependendo das condições de circulação internacional da commodity. Outro vetor estratégico é a abertura de novas possibilidades de navegação no Ártico, impulsionada pelo derretimento das calotas polares. Além da criação de novas passagens marítimas, a região apresenta potencial para exploração de petróleo, embora ainda existam incertezas sobre a dimensão dos recursos disponíveis e sobre a gestão e o controle desse espaço. A disputa pelo Ártico envolve Estados Unidos, China, Rússia e países nórdicos. A controvérsia envolvendo a Groenlândia também é apontada como exemplo da crescente importância estratégica das novas áreas marítimas e dos recursos associados a essas regiões.

O Brasil apresenta condições geográficas favoráveis para participar desse novo cenário, considerando a extensão de seu litoral e sua localização. Entretanto, o País ainda possui deficiências na estrutura de segurança marítima, o que limita sua capacidade de aproveitar plenamente as novas oportunidades e responder aos riscos associados à transformação das rotas internacionais. Os desafios também se estendem à segurança dos portos brasileiros. Além da competição estratégica entre grandes potências, o País enfrenta problemas domésticos relacionados à segurança e ao controle de suas estruturas portuárias. Entre os pontos de atenção estão o Porto de Santos (SP) e os portos de Vitória (ES), Salvador (BA) e Recife (PE), diante da atuação de organizações criminosas. A discussão sobre um novo marco para o Direito Internacional do Mar deverá se prolongar por pelo menos uma década. O Brasil terá participação relevante nesse processo e deverá atuar de forma ativa na construção das novas regras internacionais que definirão a circulação marítima e a exploração de recursos em diferentes áreas estratégicas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.