25/Aug/2026
Em São Paulo, os preços do açúcar cristal branco registram a terceira semana consecutiva de forte avanço no mercado à vista. Diante disso, o Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco (cor Icumsa de 130 a 180) voltou a superar a marca dos R$ 100,00 por saca de 50 Kg, o que não era verificado desde meados de abril deste ano. O Indicador CEPEA/ESALQ do cristal branco tem média de R$ 102,69 por saca de 50 Kg, forte elevação de 6,61% nos últimos sete dias (R$ 97,61 por saca de 50 Kg). Os valores pedidos por usinas estão mais altos em função da oferta restrita e da valorização externa. Do lado comprador, parte reduz o ritmo de aquisições, aguardando acomodação dos patamares de preços. No campo, dados recentes seguem confirmando a menor produção de açúcar.
Levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontou que, na segunda quinzena de julho, a moagem no Centro-Sul recuou 8,4% frente à de igual período do ciclo anterior, para 46,08 milhões de toneladas, com a produção de açúcar caindo 17,6%, para 3 milhões de toneladas, enquanto a de etanol cresceu 2,8%. No acumulado da safra até 31 de julho, a fabricação de açúcar somou 16,92 milhões de toneladas, queda de 12,4%, mesmo com moagem de cana-de-açúcar 2,1% maior. No dia 21 de agosto, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou seu segundo levantamento da safra 2026/27, estimando a produção nacional de cana-de-açúcar em 705,2 milhões de toneladas, alta de 4,7% em relação ao ciclo anterior, mas 0,5% abaixo da projeção de maio.
Para o açúcar, a Conab prevê produção de 42,89 milhões de toneladas no País, recuo de 2,9%, enquanto a de etanol deve crescer 11,7%, para 41,88 bilhões de litros, movimento reforçado pela elevação da mistura obrigatória do anidro à gasolina, de 30% para 32%, no fim de julho. A própria recuperação dos preços, contudo, já começa a influenciar as decisões das usinas. Segundo a consultoria Czarnikow, a valorização recente do açúcar voltou a tornar o açúcar mais atrativo que o etanol, de forma que as usinas do Centro-Sul do Brasil devem ampliar o mix açucareiro nas próximas semanas. Com isso, a produção de açúcar pode chegar a entre 39 milhões e 39,5 milhões de toneladas, contra 38,5 milhões estimadas anteriormente.
No cenário internacional, os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York continuam avançando com força, impulsionados pelas expectativas de um aperto na oferta mundial de açúcar. O contrato Outubro/26 está cotado a 17,61 centavos de dólar por libra-peso, maior valor desde meados de maio de 2025. Nos últimos sete dias, a alta é de 6,08%. Entre 17 e 21 de agosto, o contrato Outubro/26 registrou média de 17,40 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 4,79% em relação à semana anterior (de 10 a 14 de agosto). A produção de açúcar vem sendo prejudicada em diversas regiões do mundo por condições climáticas adversas. Na Europa, o forte calor e a seca devem impactar a produção de açúcar no continente.
Na Ásia, diversas regiões também enfrentam condições desfavoráveis, com perspectivas de menor produção. No Centro-Sul do Brasil, o inverno mais chuvoso também pode afetar a qualidade da cana, especialmente o teor de açúcar. Além disso, a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, anunciou a isenção do imposto de importação para um milhão de toneladas até 31 de outubro. A medida tem como objetivo reduzir os preços internos do açúcar. Em São Paulo, no atacado, o Indicador do Cristal Empacotado está cotado a R$ 12,43 por saca de 5 Kg, elevação de 1,03% nos últimos sete dias. O açúcar refinado amorfo está cotado a R$ 2,54 por saca de 1 Kg, 0,62% a mais no mesmo comparativo. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.