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25/Aug/2026

Açúcar: futuros em alta com oferta global apertada

Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na Bolsa de Nova York nesta segunda-feira (24/08), mantendo o movimento positivo recente e permanecendo em patamares elevados. O vencimento outubro, referência atual e contrato mais líquido, avançou 4 pontos, ou 0,23%, e fechou a 17,65 centavos de dólar por libra-peso. O mercado recebeu suporte da liberação de uma cota de importação de açúcar sem tarifas pela Índia, do recorde nas posições em aberto na bolsa diante dos riscos associados ao El Niño e dos sucessivos alertas de déficit na oferta mundial. A Diretoria Geral de Comércio Exterior do governo da Índia confirmou a autorização para importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro, com o objetivo de conter os preços internos antes das festividades locais. A medida reforça a percepção de aperto na oferta do segundo maior produtor mundial, que não importava volumes expressivos desde o ciclo 2017/18.

O cenário de oferta na Índia é agravado pelo déficit de 13% no acumulado das monções até 24 de agosto, segundo o Departamento de Meteorologia da Índia (IMD), e pela expectativa de estoques de passagem na menor marca em três décadas. A Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim projeta estoques de 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro. A elevada probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño muito forte, estimada em 90% pelo CPC da NOAA, também contribui para o aumento da percepção de risco. Nesse contexto, as posições em aberto na ICE atingiram recorde histórico de 2,3 milhões de contratos. No Centro-Sul do Brasil, a produção de açúcar também apresenta redução. Levantamento da S&P Global Energy apontou recuo de 14% na fabricação na segunda quinzena de julho, para 3,12 milhões de toneladas. O resultado está alinhado aos dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que indicam queda de 12,4% na produção acumulada até julho.

As projeções de déficit mundial reforçam a percepção de aperto estrutural. O Itaú BBA estima déficit de 1,4 milhão de toneladas no ciclo 2026/27, enquanto a Czarnikow projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. A Green Pool Commodity Specialists estima déficit de 3,3 milhões de toneladas, a Datagro de 1,85 milhão de toneladas, a StoneX de 1,7 milhão de toneladas, a Covrig Analytics de 300 mil toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (ISO) de 262 mil toneladas. A valorização, contudo, foi limitada por fatores que reduzem a percepção de escassez no curto prazo. A Associação dos Fabricantes de Açúcar e Bioenergia da Índia (ISMA) informou que não há falta de açúcar no país e que os estoques são suficientes para atender à demanda durante as festividades locais. A entidade projeta produção indiana de 1 milhão de toneladas em outubro, acima do nível normal de 300 mil a 400 mil toneladas.

A consultoria indiana Greenleaf estima, por sua vez, que a Índia conseguirá importar no máximo 500 mil toneladas até 31 de outubro, abaixo da cota de 1 milhão de toneladas autorizada pelo governo. O mercado passou a avaliar, portanto, a velocidade e o volume efetivo das compras indianas. A StoneX também considera que as usinas brasileiras podem elevar o mix de produção destinado ao açúcar entre agosto e outubro, contribuindo para aliviar o aperto de oferta no curto prazo. No mercado externo, a queda do petróleo e a valorização do dólar também limitaram ganhos mais expressivos do açúcar. Na China, a demanda por açúcar permanece mais moderada. Dados da Administração Geral de Alfândegas da China mostram que as importações em julho recuaram 37,5% em relação a igual mês do ano anterior, para 470 mil toneladas. No acumulado do ano, as compras somaram 1,60 milhão de toneladas, queda de 10,1%. Consultorias como Bradesco e Vesper também apontam ritmo mais cadenciado de compras pelos grandes consumidores mundiais.