24/Aug/2026
Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em alta na sexta-feira (21/08) na Bolsa de Nova York, dando sequência aos ganhos recentes e permanecendo próximos das máximas em mais de um ano. O vencimento outubro, referência atual e mais líquido, avançou 9 pontos, equivalente a 0,51%, fechou a 17,61 centavos de dólar por libra-peso. A confirmação oficial da liberação de cota de importação de açúcar sem tarifas na Índia, a forte alta do petróleo, a desvalorização global do dólar e o recorde de posições em aberto na bolsa diante dos riscos associados ao El Niño sustentaram o movimento comprador. A Diretoria Geral de Comércio Exterior do governo indiano confirmou a liberação de importações de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem cobrança de impostos até 31 de outubro, com o objetivo de conter os preços domésticos e ampliar o abastecimento antes das festividades locais.
A medida reforça o cenário de aperto da oferta no segundo maior produtor mundial, que não realiza importações expressivas desde a safra 2017/18. O quadro de oferta na Índia é agravado pelo déficit de 13% no acumulado das monções até 21 de agosto, segundo o Departamento Meteorológico da Índia (IMD), e pela expectativa de estoques de passagem na mínima em três décadas. A Associação dos Comerciantes de Açúcar de Bombaim projeta estoques de 3,5 milhões de toneladas em 1º de outubro. O risco de ocorrência de um El Niño muito forte, estimado em 90% pelo CPC da NOAA, também contribuiu para a elevação das posições em aberto na ICE ao recorde histórico de 2,3 milhões de contratos. No mercado de energia, o petróleo WTI subia 0,46%, ou US$ 0,43, para US$ 93,78 por barril, fortalecendo a paridade teórica do biocombustível no Brasil. A S&P Global Energy apontou em pesquisa recente queda de 14% na produção de açúcar do Centro-Sul na segunda quinzena de julho, para 3,12 milhões de toneladas.
O resultado está alinhado aos alertas sobre perda de rendimento de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) e aos dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que apontam queda de 12,4% no acumulado até julho. A percepção de oferta global mais restrita também é sustentada por diferentes estimativas de déficit. O Itaú BBA projeta déficit de 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, enquanto a Czarnikow estima déficit de 2,9 milhões de toneladas em 2027/28. A Green Pool Commodity Specialists calcula déficit de 3,3 milhões de toneladas, a Datagro de 1,85 milhão de toneladas, a StoneX de 1,7 milhão de toneladas, a Covrig Analytics de 300 mil toneladas e a Organização Internacional do Açúcar (ISO) de 262 mil toneladas. Por outro lado, a valorização mais intensa foi limitada pela postura cautelosa dos compradores internacionais no mercado físico e pela possibilidade de aumento do direcionamento de cana-de-açúcar para açúcar no Brasil.
A Stone avalia que as usinas do Centro-Sul podem ampliar o mix açucareiro entre agosto e outubro, o que contribuiria para amenizar pontualmente o déficit de curto prazo. No mercado consumidor, os dados da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC) mostram queda de 37,5% nas importações de açúcar em julho, na comparação anual, para 470 mil toneladas. No acumulado do ano, as compras chinesas recuaram 10,1%, para 1,60 milhão de toneladas. Relatórios do Bradesco e da Vesper também apontam ritmo mais cadenciado de novas aquisições por grandes compradores mundiais. A programação de embarques nos portos brasileiros soma 1,495 milhão de toneladas, queda de 48,9% na comparação anual. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) também mostram redução de 16,6% nas exportações brasileiras de açúcares em julho, para 2,992 milhões de toneladas.