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24/Aug/2026

Margem Equatorial pode ter descobertas relevantes

A Petrobras mantém expectativa de realizar descobertas relevantes na Margem Equatorial após os resultados iniciais da campanha exploratória no poço de Morpho. Embora ainda não haja elementos suficientes para confirmar resultados definitivos, os dados obtidos até o momento validam as etapas anteriores da exploração e sustentam uma perspectiva de otimismo cauteloso sobre o potencial da região. A avaliação preliminar da companhia é que o petróleo encontrado no poço de Morpho pode apresentar características favoráveis, possivelmente com menor densidade e maior leveza em comparação com o óleo produzido no pré-sal. Essa condição poderá ampliar o potencial econômico da descoberta, mas a definição das características do material dependerá das análises técnicas que serão realizadas no Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). Na semana passada, uma comitiva visitou o navio-sonda ODN II, responsável pela descoberta anunciada na última semana.

Seis garrafas contendo o óleo foram apresentadas durante a visita, em uma etapa considerada relevante para dar maior transparência à sociedade sobre o avanço da campanha exploratória. As amostras de petróleo serão transportadas para o Cenpes, onde serão submetidas a análises para determinação de densidade, viscosidade e demais características físico-químicas do óleo, informações fundamentais para a avaliação do potencial comercial da descoberta e para o planejamento das próximas etapas exploratórias. A Petrobras prevê retomar a perfuração na área entre os dias 11 e 12 de setembro. Após a retomada das operações, a expectativa é atingir o fundo do poço de Morpho em aproximadamente uma semana, dando continuidade à campanha exploratória na Margem Equatorial. A Petrobras avalia que a Margem Equatorial apresenta potencial relevante para novas descobertas, embora sua dimensão não deva ser comparada à do pré-sal, considerado um fenômeno geológico único.

Com base nos dados disponíveis até o momento sobre a área da Foz do Amazonas, a estatal mantém grande otimismo em relação ao potencial exploratório da região, mas não trabalha com a expectativa de que a bacia alcance a mesma magnitude da principal área produtora localizada na Região Sudeste. A avaliação é que não há, em águas profundas ao redor do planeta, uma província comparável à magnitude do pré-sal brasileiro. Isso, contudo, não reduz a relevância potencial da Margem Equatorial, especialmente das áreas offshore do Amapá, que permanecem entre os principais focos de interesse exploratório da Petrobras. Caso sejam encontradas reservas de gás natural na Margem Equatorial, a produção deverá estar associada ao petróleo, como ocorre tanto nas áreas do pré-sal quanto no pós-sal da Bacia de Campos. Nesse modelo, a dinâmica da produção de gás permanece diretamente vinculada à produção de óleo.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que ainda é muito cedo para se pensar em construir uma refinaria na Região Norte do País para processar o petróleo da Margem Equatorial. Outras descobertas podem surgir na área, e não apenas na bacia da Foz do Amazonas, onde foi descoberto petróleo no poço pioneiro de Morpho. A sonda ODN II, que está explorando em Morpho, passará por manutenção e será destinada à exploração do poço Mãe de Ouro, na bacia Potiguar, também na Margem Equatorial brasileira, mas em frente ao Rio Grande do Norte. Se houver descoberta é possível criar um cluster na área. Mãe de Ouro tem o ‘condão’ de viabilizar ali um cluster de produção no Rio Grande do Norte. Pode ser um reservatório que justifique junto com os outros (reservatórios) um navio-plataforma de produção.

Ainda, o interesse na avaliação do potencial petrolífero em Gana, no continente africano, é mais um passo na busca de reservas pela Petrobras. Porém, ainda é cedo para saber se os estudos trarão bons resultados. A Margem do Brasil se casa com a Margem da África. Então, a Margem Atlântica do Brasil tem similaridade com a Margem Atlântica da África. A Petrobras reiterou que não existe futuro para uma companhia de petróleo se não houver exploração. O viés da estatal é de águas profundas. Somente após estudos será possível saber o potencial da região africana, que há 200 milhões de anos era ‘grudada’ no continente sul-americano. Gana fica na mesma direção onde hoje é a Margem Equatorial brasileira. Os estudos que vão ser feitos descobrirão o potencial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.